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A dor de incluir: o que revela o Dia Nacional da Educação Inclusiva

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Lembro da primeira vez em que vi um estudante com deficiência sendo deixado de lado durante a aula. Estávamos todos ali, no mesmo espaço, mas não na mesma experiência. Enquanto seguíamos os exercícios, ele era deixado sob a guarda de uma monitora, isolado — como se sua presença fosse um gesto de caridade, não um direito. Foi ali que me caiu a ficha: aquela escola não era, de fato, para todos. Era para quem se encaixava. Para quem aprendia “no tempo certo”, para quem conseguia acompanhar a norma, para quem não “atrapalhava”. Hoje, ao lembrar disso no 14 de abril, o chamado Dia Nacional de Luta pela Educação Inclusiva , não consigo sentir comemoração. Sinto incômodo. Sinto denúncia. Porque, se precisamos de uma data como essa, é porque o sistema educacional falhou — e segue falhando — em garantir o mais básico: o direito de aprender com dignidade. A expressão “educação inclusiva” já nasce marcada por uma contradição. Se a educação fosse de fato o que promete ser — instrumento de em...

Ao lado de Inês Paz

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Quando uma mulher levanta a voz em nome do povo, o sistema treme. Quando ela transforma mandato em mutirão, dor em cuidado, Câmara em sala de aula — é aí que tentam silenciá-la. É isso que está acontecendo com Inês Paz , vereadora do PSOL em Mogi das Cruzes, educadora, militante, filha do chão e da fé popular. Acusada, não por roubo, não por conchavo, não por abuso de poder — mas por fazer da política um serviço coletivo. Por ajudar quem precisa. Por fazer do gabinete um espaço de solidariedade real. O Ministério Público lançou uma denúncia. Ainda não recebida pela Justiça. Sem julgamento. Sem condenação. Mas com manchetes prontas, vozes oportunistas e venenos conhecidos. Nós dizemos: não aceitaremos o linchamento simbólico de uma lutadora do povo. Não é só a Inês quem está sendo julgada. É o tipo de política que ela representa: ética, popular, feminista, feita com a base. Uma política que incomoda quem sempre governou para os mesmos de sempre. Lembramos aqui de Antígona , qu...

DESPERTA SUZANO! Panfleto Poético de Conscientização Popular em Suzano

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do Palco e do Padrinho No aniversário a cidade vira palco, Com luz, fogão, fogos e celebridade. Mas por trás da cortina e do estalo, Há contrato, vaidade e falsidade. A firma paga, mas não por bondade: É a mesma que limpa ou asfalta o asfalto. O “presente” é dívida disfarçada, Com lucro certo e povo feito de salto. Quem dança nesse palco, dança por quem? O povo aplaude, mas sem hospital. O som explode, mas e o bem comum? No fim, é festa pra manter o mal. Mas a verdade — teimosa como ninguém — Canta mais alto e chega como um tamborim. "Se a festa é luxuosa, o povo desconfia — quem paga o artista, esconde a covardia!" da Traição Silenciosa De um sonho antigo feito em mutirão, Surgiu um grupo com raiz no chão. Mas veio a fome, o cargo, a tentação, E a base ruiu sem revolução. Marcelo foi abrigo e horizonte, Mas viu seu povo ser cooptado aos poucos. Calaram as ideias, secaram a fonte, Ficaram só sorrisos falsos e roucos. A oposição virou quase m...

IRA! — Quando a resistência pega o microfone

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Quando a resistência é feita por uma banda como o Ira! , tudo muda de figura. Muda a amplitude da mensagem, quebra muros entre bolhas que não se falavam, conecta o grito da periferia com os ouvidos do centro, e reverbera nos becos, nas universidades e até nos púlpitos. Não é só rock. É o plebeu falando alto com guitarra distorcida. É a dor e o sonho da cidade traduzidos em versos como "Envelheço na Cidade" ou "Dias de Luta". E quando isso acontece, o povo se sente representado. O plebeu com sua irreverência e rebeldia se vê nas letras, mas também se percebe parte de algo maior — algo que as filosofias críticas, as ciências sociais e as teologias da libertação sempre buscaram: dar nome ao sofrimento e transformar a realidade. Formada em 1981, em plena ditadura de transição, o Ira! surge como resposta estética e política à pasmaceira cultural e ao autoritarismo. Com raízes no punk e no rock nacional, a banda se tornou um dos maiores símbolos do inconformismo musi...

Feliz dia, Eliane Lourenço – uma travessia em quatro tempos

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Na esquina da rua 12 com a viela do campo desativado, Seu Zé aquece o rango no isopor. Macarrão com salsicha. Diz que aprendeu com o tempo que revolução também é estômago cheio. Ao lado dele, a TV do bar em volume alto fala do fim do mundo: inflação, golpe no país vizinho, ministro falando grosso com o povo. Mas ninguém ali desliga o som. Porque o mundo, pra quem sobrevive com vale-transporte vencido e fé torta, já se esfarela todo dia — só muda o narrador. "Essa gente aí nunca comeu marmita fria", comenta Seu Zé, apontando pra tela. "Maria Antonieta de hoje não é mais rainha, é influenciadora. E continua achando que a gente quer brioche." A risada que explode no boteco é mistura de amargura e ironia. Mas é ali, entre um gole de café preto e outro de esperança velha, que se forma a síntese da nossa conjuntura: o Brasil de 2025 é um país em disputa entre a estética da elite gourmet e a ética da marmita resistente. Enquanto isso, a esquerda — aquela que um dia c...

Nota de Conjuntura do Plebeu | Abril de 2025

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Entre Maria Antonieta e Gorender: a esquerda em crise de enraizamento A recente entrevista da ex-deputada Manuela d’Ávila à Folha de S.Paulo provocou um incômodo necessário no campo da esquerda. Ao afirmar que "a esquerda está isolada" e que "a dificuldade nas ruas é evidente e óbvia", Manuela dá corpo a um sentimento vivido por amplos setores militantes: a percepção de que, enquanto a extrema direita ocupa o imaginário popular com narrativas simples (ainda que mentirosas), a esquerda institucionalizada se mostra distante, ritualizada e paralisada. Essa percepção não é apenas fruto de análise racional. É uma experiência vivida de fratura — entre base e direção, entre representação política e vida cotidiana, entre o que se diz e o que se pratica.  Pela lente fenomenológica, essa crise se revela como um descompasso existencial: a esquerda já não se reconhece nas ruas, e as ruas, cada vez mais, não reconhecem a esquerda. A metáfora de Maria Antonieta, evocada por Ma...

Gestão Democrática: o Coração da Educação Inclusiva

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No dia 14 de abril , celebramos o Dia Nacional de Luta pela Educação Inclusiva — uma data criada em 2004 pelo Sistema Conselhos de Psicologia para mobilizar a sociedade em defesa de políticas públicas que garantam direito à educação para todos e todas , especialmente para quem historicamente foi excluído do processo educacional. Mas não basta apenas garantir o acesso à escola. É preciso transformar a escola em um espaço verdadeiramente inclusivo, democrático e acolhedor . E para isso, a gestão democrática é peça-chave. A democracia na escola transforma o cotidiano A gestão democrática não é um detalhe técnico. Ela é uma postura política e pedagógica , que reconhece o protagonismo da comunidade escolar na construção do projeto educativo. Quando estudantes, famílias, professoras, funcionários e agentes comunitários participam das decisões escolares, a escola se torna mais sensível às necessidades concretas das pessoas . Na prática, isso significa escutar as demandas de estudant...