O trabalhador sênior, a inteligência artificial e a nova expropriação da experiência
Durante décadas, o mercado tratou trabalhadoras e trabalhadores com mais de 40 ou 45 anos como se fossem excedentes. Chamou experiência de atraso, prudência de lentidão, memória de rigidez, consciência crítica de resistência à mudança. Quem havia acumulado anos de trabalho, domínio de processos, leitura institucional, capacidade de comparação histórica e conhecimento prático passou a ser apresentado como caro demais, difícil demais, pouco flexível demais. Esse discurso nunca foi neutro. Serviu para encobrir uma escolha econômica: substituir trajetória por custo menor, experiência por obediência, vínculo por precariedade, maturidade por disponibilidade ansiosa. Agora, com o advento da inteligência artificial, essa contradição retorna em outro patamar. Aquilo que ontem era tratado como obsolescência reaparece hoje como valor estratégico. A IA precisa de dados, mas também precisa de critério. Precisa de velocidade, mas também de julgamento. Precisa de automação, mas também de memória hu...