Raul Brasil permanece, viva e ferida. Memória e dor.
Há datas que nascem duas vezes. 13 de março, para mim, sempre foi origem — o marco silencioso de ter chegado ao mundo, de ter sido lançado ao tempo, às possibilidades, às relações que constroem o que sou. Durante anos, essa data carregou a leveza discreta dos começos: um dia que, mesmo simples, afirmava a continuidade da vida. Mas em 2019, esse mesmo dia foi atravessado por outra inscrição. Na Escola Estadual Raul Brasil, algo se rompeu de forma brutal. A cidade de Suzano, que já habitava em mim como território de pertencimento, tornou-se também território de luto. Não era mais apenas o meu dia — era um dia marcado por ausências, por nomes interrompidos, por histórias que não puderam continuar. Desde então, 13 de março deixou de ser um ponto fixo. Tornou-se um campo de tensão. Há, de um lado, a vida que insiste — o fato simples e profundo de estar aqui, de continuar, de atravessar os dias. Há, de outro, a memória que pesa — não como algo que escolho lembrar, mas como algo que se i...