A matéria que aprendeu a perguntar
Há uma evidência elementar que, embora pareça simples, sustenta grande parte da compreensão sobre a existência humana: o homem e a mulher são entes que existem em sociedade. Não apenas vivem próximos de outros seres humanos, mas são constituídos pelas relações que estabelecem. A linguagem, a memória, o trabalho, os afetos, os valores, os conflitos, as instituições e os projetos de futuro não surgem no isolamento. A humanidade não é uma qualidade produzida por um indivíduo solitário. Ela se forma na vida comum. Por isso, nossa natureza não pode ser compreendida apenas em sua dimensão biológica. Somos sustentados por uma relação permanente entre objetividade e subjetividade. De um lado, há o corpo, o território, o trabalho, as condições materiais, a história e as estruturas sociais que nos antecedem. De outro, há a consciência, os desejos, os medos, as crenças, os juízos e os sentidos que construímos sobre aquilo que vivemos. O mundo nos forma, mas nós também interpretamos e transf...