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22 de abril: entre a terra celebrada e a terra violada - A morte da Varzea do Tietê

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Existe uma contradição que atravessa este dia como uma ferida aberta, uma daquelas que não se escondem mais sob narrativas confortáveis, porque de um lado se fala em Dia Mundial da Terra, se invoca cuidado, equilíbrio, sustentabilidade, se produzem discursos que afirmam a importância da vida e do território, e de outro lado, no mesmo tempo, no mesmo espaço, no mesmo chão, assistimos à terra sendo reconfigurada pela força, pela máquina, pelo interesse, pela decisão que não consulta e pelo gesto que transforma o que deveria ser protegido em objeto de intervenção. O 22 de abril, que durante tanto tempo foi ensinado como início, como marco de um suposto nascimento, revela-se hoje como continuidade, como repetição de uma lógica que não terminou, apenas mudou de forma, porque se antes a terra era apropriada pela imposição direta, hoje ela é apropriada por meio de processos que se apresentam como técnicos, administrativos, legais, mas que carregam, em sua essência, a mesma ruptura fundamental...

Imaginário, Percepção e Sentido: a arquitetura invisível do real

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Há um equívoco recorrente na história do pensamento: acreditar que o real é apenas aquilo que se impõe aos sentidos. Como se a realidade fosse um dado bruto, independente das formas pelas quais é percebida, interpretada e imaginada. No entanto, a experiência humana insiste em nos mostrar o contrário. O real, para nós, nunca é apenas o que é — é também o que podemos imaginar, o que conseguimos perceber e aquilo que somos capazes de significar. É nesse entrelaçamento que se constitui aquilo que poderíamos chamar de arquitetura invisível do real. A Geometria dos Saberes, ao buscar compreender os modos de organização do conhecimento e da ação, encontra aqui um ponto de inflexão. Já não basta mapear estruturas materiais, fluxos institucionais ou dinâmicas econômicas. Torna-se necessário compreender as camadas mais sutis — aquelas que operam na formação da consciência e na organização da experiência. Três eixos emergem com força nesse campo: o imaginário, a percepção e o sentido. O i...

Manifesto pela recomposição do humano

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Nós não estamos apenas diante de um tempo confuso. Estamos dentro de um tempo produzido — e isso precisa ser dito com clareza. O mundo que habitamos não é apenas o resultado de avanços técnicos ou descobertas científicas. Ele é o resultado de relações concretas, históricas, materiais, que organizaram o modo como produzimos, vivemos e pensamos. E é por isso que, quando dizemos que há uma crise, precisamos ir além da superfície. Porque não se trata apenas de uma crise econômica. Não se trata apenas de uma crise política. E, embora pareça, não se trata apenas de uma crise do conhecimento. O que vivemos é uma crise da forma social que organiza o conhecimento dentro de um sistema histórico específico . Avançamos, sim. E avançamos muito. Mas esse avanço não foi neutro. A capacidade de produzir ciência, tecnologia, comunicação e controle da natureza foi impulsionada por um sistema que precisa expandir permanentemente suas forças produtivas. E, nesse processo, o conhecimento foi elevado a u...