22 de abril: entre a terra celebrada e a terra violada - A morte da Varzea do Tietê
Existe uma contradição que atravessa este dia como uma ferida aberta, uma daquelas que não se escondem mais sob narrativas confortáveis, porque de um lado se fala em Dia Mundial da Terra, se invoca cuidado, equilíbrio, sustentabilidade, se produzem discursos que afirmam a importância da vida e do território, e de outro lado, no mesmo tempo, no mesmo espaço, no mesmo chão, assistimos à terra sendo reconfigurada pela força, pela máquina, pelo interesse, pela decisão que não consulta e pelo gesto que transforma o que deveria ser protegido em objeto de intervenção. O 22 de abril, que durante tanto tempo foi ensinado como início, como marco de um suposto nascimento, revela-se hoje como continuidade, como repetição de uma lógica que não terminou, apenas mudou de forma, porque se antes a terra era apropriada pela imposição direta, hoje ela é apropriada por meio de processos que se apresentam como técnicos, administrativos, legais, mas que carregam, em sua essência, a mesma ruptura fundamental...