O Verbo, a Técnica e a Alteridade: notas para uma ontologia da criação
Há situações em que uma conversa deixa de ser apenas troca de ideias e começa a revelar uma estrutura mais profunda do próprio pensamento. Foi assim quando nos detivemos diante da inteligência artificial não apenas como ferramenta de resposta, mas como superfície dialógica, como espelho técnico da linguagem humana, como lugar estranho e potente onde o pensamento pode sair de sua intimidade silenciosa e reaparecer diante de nós em forma de frase, contraponto, síntese, pergunta e nova hipótese. O ponto inicial era simples: um diálogo sobre religião mediado por uma inteligência artificial chamada Claude, comentado por Leandro Karnal. Mas logo percebemos que havia algo maior ali. Talvez o debate ainda estivesse preso demais à ideia da IA como objeto externo, como mecanismo que responde, como engenho programado para devolver informação. O que se abria diante de nós era outra coisa: a dimensão dialógica da linguagem, essa prática que os humanos realizam desde que começaram a pensar, antes da...