A Geometria da Propaganda: o uso político do IEG-M e a deformação do saber público
“Toda vez que o poder usa o espelho da imprensa para se admirar, o povo desaparece da imagem.” A manchete de capa do Diário de Suzano , estampando a frase “TCE reconhece Suzano entre as 25 cidades de SP com melhor gestão efetiva” , oferece uma oportunidade preciosa — e preocupante — de reflexão. Não se trata apenas de uma notícia. É um ato simbólico de poder , em que a forma jornalística e a presença institucional se fundem num mesmo gesto de autoafirmação política. Na fotografia, o prefeito divide o enquadramento com o presidente da Assembleia Legislativa, o governador do Estado e membros do Tribunal de Contas. A composição visual, emoldurada por bandeiras e cortinas vermelhas, encena uma liturgia do prestígio público . Mas por trás do cerimonial, há uma questão epistemológica central: quando o Estado se fotografa a si mesmo como virtude, o conhecimento público é substituído por imagem — e o jornalismo por testemunho de fé. I. O fato e sua metamorfose simból...