Imaginário, Percepção e Sentido: a arquitetura invisível do real
Há um equívoco recorrente na história do pensamento: acreditar que o real é apenas aquilo que se impõe aos sentidos. Como se a realidade fosse um dado bruto, independente das formas pelas quais é percebida, interpretada e imaginada. No entanto, a experiência humana insiste em nos mostrar o contrário. O real, para nós, nunca é apenas o que é — é também o que podemos imaginar, o que conseguimos perceber e aquilo que somos capazes de significar. É nesse entrelaçamento que se constitui aquilo que poderíamos chamar de arquitetura invisível do real. A Geometria dos Saberes, ao buscar compreender os modos de organização do conhecimento e da ação, encontra aqui um ponto de inflexão. Já não basta mapear estruturas materiais, fluxos institucionais ou dinâmicas econômicas. Torna-se necessário compreender as camadas mais sutis — aquelas que operam na formação da consciência e na organização da experiência. Três eixos emergem com força nesse campo: o imaginário, a percepção e o sentido. O i...