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DESPERTA SUZANO! Panfleto Poético de Conscientização Popular em Suzano

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do Palco e do Padrinho No aniversário a cidade vira palco, Com luz, fogão, fogos e celebridade. Mas por trás da cortina e do estalo, Há contrato, vaidade e falsidade. A firma paga, mas não por bondade: É a mesma que limpa ou asfalta o asfalto. O “presente” é dívida disfarçada, Com lucro certo e povo feito de salto. Quem dança nesse palco, dança por quem? O povo aplaude, mas sem hospital. O som explode, mas e o bem comum? No fim, é festa pra manter o mal. Mas a verdade — teimosa como ninguém — Canta mais alto e chega como um tamborim. "Se a festa é luxuosa, o povo desconfia — quem paga o artista, esconde a covardia!" da Traição Silenciosa De um sonho antigo feito em mutirão, Surgiu um grupo com raiz no chão. Mas veio a fome, o cargo, a tentação, E a base ruiu sem revolução. Marcelo foi abrigo e horizonte, Mas viu seu povo ser cooptado aos poucos. Calaram as ideias, secaram a fonte, Ficaram só sorrisos falsos e roucos. A oposição virou quase m...

IRA! — Quando a resistência pega o microfone

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Quando a resistência é feita por uma banda como o Ira! , tudo muda de figura. Muda a amplitude da mensagem, quebra muros entre bolhas que não se falavam, conecta o grito da periferia com os ouvidos do centro, e reverbera nos becos, nas universidades e até nos púlpitos. Não é só rock. É o plebeu falando alto com guitarra distorcida. É a dor e o sonho da cidade traduzidos em versos como "Envelheço na Cidade" ou "Dias de Luta". E quando isso acontece, o povo se sente representado. O plebeu com sua irreverência e rebeldia se vê nas letras, mas também se percebe parte de algo maior — algo que as filosofias críticas, as ciências sociais e as teologias da libertação sempre buscaram: dar nome ao sofrimento e transformar a realidade. Formada em 1981, em plena ditadura de transição, o Ira! surge como resposta estética e política à pasmaceira cultural e ao autoritarismo. Com raízes no punk e no rock nacional, a banda se tornou um dos maiores símbolos do inconformismo musi...

Feliz dia, Eliane Lourenço – uma travessia em quatro tempos

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Na esquina da rua 12 com a viela do campo desativado, Seu Zé aquece o rango no isopor. Macarrão com salsicha. Diz que aprendeu com o tempo que revolução também é estômago cheio. Ao lado dele, a TV do bar em volume alto fala do fim do mundo: inflação, golpe no país vizinho, ministro falando grosso com o povo. Mas ninguém ali desliga o som. Porque o mundo, pra quem sobrevive com vale-transporte vencido e fé torta, já se esfarela todo dia — só muda o narrador. "Essa gente aí nunca comeu marmita fria", comenta Seu Zé, apontando pra tela. "Maria Antonieta de hoje não é mais rainha, é influenciadora. E continua achando que a gente quer brioche." A risada que explode no boteco é mistura de amargura e ironia. Mas é ali, entre um gole de café preto e outro de esperança velha, que se forma a síntese da nossa conjuntura: o Brasil de 2025 é um país em disputa entre a estética da elite gourmet e a ética da marmita resistente. Enquanto isso, a esquerda — aquela que um dia c...

Nota de Conjuntura do Plebeu | Abril de 2025

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Entre Maria Antonieta e Gorender: a esquerda em crise de enraizamento A recente entrevista da ex-deputada Manuela d’Ávila à Folha de S.Paulo provocou um incômodo necessário no campo da esquerda. Ao afirmar que "a esquerda está isolada" e que "a dificuldade nas ruas é evidente e óbvia", Manuela dá corpo a um sentimento vivido por amplos setores militantes: a percepção de que, enquanto a extrema direita ocupa o imaginário popular com narrativas simples (ainda que mentirosas), a esquerda institucionalizada se mostra distante, ritualizada e paralisada. Essa percepção não é apenas fruto de análise racional. É uma experiência vivida de fratura — entre base e direção, entre representação política e vida cotidiana, entre o que se diz e o que se pratica.  Pela lente fenomenológica, essa crise se revela como um descompasso existencial: a esquerda já não se reconhece nas ruas, e as ruas, cada vez mais, não reconhecem a esquerda. A metáfora de Maria Antonieta, evocada por Ma...

Gestão Democrática: o Coração da Educação Inclusiva

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No dia 14 de abril , celebramos o Dia Nacional de Luta pela Educação Inclusiva — uma data criada em 2004 pelo Sistema Conselhos de Psicologia para mobilizar a sociedade em defesa de políticas públicas que garantam direito à educação para todos e todas , especialmente para quem historicamente foi excluído do processo educacional. Mas não basta apenas garantir o acesso à escola. É preciso transformar a escola em um espaço verdadeiramente inclusivo, democrático e acolhedor . E para isso, a gestão democrática é peça-chave. A democracia na escola transforma o cotidiano A gestão democrática não é um detalhe técnico. Ela é uma postura política e pedagógica , que reconhece o protagonismo da comunidade escolar na construção do projeto educativo. Quando estudantes, famílias, professoras, funcionários e agentes comunitários participam das decisões escolares, a escola se torna mais sensível às necessidades concretas das pessoas . Na prática, isso significa escutar as demandas de estudant...

Segurança Cibernética e o poder popular: é política, é soberania

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Quando falam em segurança cibernética, muita gente imagina um técnico trancado numa sala fria, monitorando alertas numa tela cheia de gráficos e códigos. Outros pensam logo em antivírus, senhas fortes, backups automáticos. Tá certo. Mas tá muito longe de ser tudo. Porque segurança cibernética de verdade é justiça e direitos na veia . É sobre quem decide, quem controla, quem lucra, quem é vigiado e quem é silenciado nesse novo mundo de dados, plataformas e algoritmos. E se a gente não entrar nessa conversa, alguém vai entrar por nós. E geralmente não é quem nos quer livres. Por isso, precisamos defender que segurança cibernética: não pode ser desculpa pra autoritarismo digital , não pode ser monopólio das grandes corporações , não pode ser ferramenta de controle social disfarçado de proteção . Tem que ser construída com base em três pilares: Liberdade como valor inegociável. Autonomia como capacidade coletiva. Justiça como fundamento...

Mundanidade e Nova Episteme: entre o chão e o código

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Tem gente que pensa que pra falar de tecnologia, inteligência artificial ou soberania digital, a gente precisa deixar os pés fora do chão. Que esse é um assunto pra especialistas, pra técnicos, pra gente de jaleco e MBA. Aqui no ppplebeu , a gente discorda. A gente insiste que é justamente no chão da vida real, na experiência comum, na mundanidade — que mora a verdadeira força pra reconstruir o futuro. Porque essa tal de nova episteme que estamos desenhando aos poucos por aqui, entre um texto e outro, entre uma conversa e uma provocação, não é uma episteme do céu das ideias . É uma episteme da rua, do campo, da fábrica, da quebrada, da escola pública, da feira livre, da comunidade de software e da comunidade de fé . Ela não se afasta da mundanidade. Ela nasce dela. É com a vivência concreta — aquela que sente no corpo o preço da passagem, a fila do SUS, o medo da demissão e o desmonte da escola — que se forma o olhar atento, crítico e criativo capaz de questionar também a ló...