Segurança Cibernética e o poder popular: é política, é soberania


Quando falam em segurança cibernética, muita gente imagina um técnico trancado numa sala fria, monitorando alertas numa tela cheia de gráficos e códigos.
Outros pensam logo em antivírus, senhas fortes, backups automáticos. Tá certo. Mas tá muito longe de ser tudo.

Porque segurança cibernética de verdade é justiça e direitos na veia.
É sobre quem decide, quem controla, quem lucra, quem é vigiado e quem é silenciado nesse novo mundo de dados, plataformas e algoritmos.

E se a gente não entrar nessa conversa, alguém vai entrar por nós.
E geralmente não é quem nos quer livres.

Por isso, precisamos defender que segurança cibernética:

  • não pode ser desculpa pra autoritarismo digital,
  • não pode ser monopólio das grandes corporações,
  • não pode ser ferramenta de controle social disfarçado de proteção.

Tem que ser construída com base em três pilares:

  1. Liberdade como valor inegociável.
  2. Autonomia como capacidade coletiva.
  3. Justiça como fundamento técnico e político.

Segurança sem liberdade é vigilância.
Segurança sem autonomia é dependência.
Segurança sem justiça é ferramenta de opressão.

É por isso que iniciativas como o Congresso de Soberania Tecnológica de Barcelona apontam pra necessidade urgente de pensar segurança digital a partir dos direitos humanos e do bem comum — e não só da lógica do lucro ou do controle estatal.¹

E aqui no Brasil, pesquisadores como o professor Luli Radfahrer, da ECA-USP, têm batido na tecla da soberania tecnológica como chave para a verdadeira proteção digital, chamando a atenção para os riscos de terceirizarmos nossa segurança para gigantes estrangeiros.²

Nós, do lado de cá, do lado de quem constrói o país com as mãos e com o afeto, não podemos ficar de fora dessa construção.

Afinal, segurança cibernética, pra nós, tem que significar:

  • que a quebrada não será apagada dos mapas digitais,
  • que a voz do povo não será silenciada por robôs,
  • que nossos dados não serão vendidos como carne em balcão.

Segurança, sim.
Mas com consciência, com dignidade e com soberania.

 

Referências:

  1. Congreso de Soberanía Tecnológica – Barcelona, edição de 2023.
  2. Radfahrer, Luli – Entrevista à Rádio USP: Reflexões sobre soberania tecnológica de um país, 2022.

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