Vencer o retrocesso, melhorar a vida agora e organizar democraticamente o futuro


O Brasil possui condições materiais, produtivas, científicas e naturais para assegurar uma vida digna a todas as pessoas. Somos capazes de produzir alimentos, energia, conhecimento, tecnologia e riqueza suficientes para garantir habitação adequada, água potável, saneamento básico, educação de qualidade, saúde pública, cultura e proteção social.

Se milhões de brasileiros ainda vivem privados desses direitos, não é simplesmente porque faltem recursos. O problema fundamental está na maneira como a riqueza, a propriedade e o poder são distribuídos e controlados.

Uma sociedade capaz de produzir abundância, mas incapaz de assegurar dignidade a todos, não enfrenta apenas uma dificuldade econômica. Enfrenta uma escolha política e moral.

As eleições de 2026 estarão situadas no centro dessa escolha.

Vencer o retrocesso

Não podemos permitir que o extremismo de direita continue avançando sobre a democracia, os direitos sociais e as instituições públicas.

Esse extremismo procura transformar diferenças em ameaças, adversários em inimigos e o medo em instrumento de poder. Alimenta-se da desinformação, da insegurança econômica, do ressentimento e do abandono experimentado por parcelas importantes da população. Apresenta soluções autoritárias para problemas que somente podem ser enfrentados com justiça social, participação e solidariedade.

Sua derrota eleitoral é necessária. Mas não será suficiente apenas denunciar seus perigos.

É preciso compreender por que sua mensagem encontra apoio em uma sociedade marcada pelo desemprego, pelo endividamento, pela precarização do trabalho, pela violência e pela perda de expectativas. Onde a democracia não consegue melhorar concretamente a vida, o autoritarismo encontra terreno para semear falsas respostas.

Defender a democracia significa, portanto, fazê-la chegar à mesa, à moradia, à escola, ao posto de saúde, ao transporte público e ao local de trabalho.

Melhorar a vida agora

O povo não pode ser convocado apenas a defender instituições que muitas vezes percebe como distantes. Precisa reconhecer a democracia como uma força presente em sua vida cotidiana.

Isso exige trabalho digno, salário justo, moradia, segurança alimentar, saúde pública, educação de qualidade, saneamento, cultura e proteção ambiental. Exige também cidades cuidadas por inteiro, não apenas nos lugares de maior visibilidade. E requer serviços públicos que reconheçam cada pessoa como cidadã, jamais como cliente, favor ou número eleitoral.

Melhorar a vida agora não é uma concessão nem uma promessa secundária. É a própria demonstração de que a política democrática pode servir ao bem comum.

O Brasil dispõe dos meios necessários para enfrentar suas desigualdades mais profundas. Possui capacidade produtiva, instituições públicas, universidades, trabalhadores qualificados e uma riqueza natural extraordinária. Mas esse patrimônio precisa ser protegido e colocado a serviço da população.

Nossas águas, florestas, terras férteis, fontes de energia e biodiversidade não são infinitas. Preservadas e democraticamente administradas, podem sustentar muitas gerações. Submetidas à exploração predatória, podem produzir riqueza para poucos e escassez para todos.

A verdadeira prosperidade não consiste em destruir rapidamente aquilo que levou séculos para se formar. Consiste em cuidar, repartir e transmitir às próximas gerações um país melhor do que aquele que recebemos.

Organizar democraticamente o futuro

As eleições podem abrir caminhos, mas não substituem a participação permanente da sociedade.

Votar é indispensável, porém a democracia não termina na urna. Ela precisa continuar nos bairros, nas escolas, nos sindicatos, nos movimentos sociais, nas associações, nos conselhos públicos e nos partidos políticos. Precisa transformar necessidades dispersas em vontade coletiva e participação popular em poder democrático.

Organizar o futuro significa criar condições para que o povo participe das decisões sobre o orçamento, o território, os serviços públicos, o meio ambiente e o desenvolvimento econômico.

Significa também fortalecer partidos de massa, plurais e democráticos, capazes de formar novas lideranças, promover debates e apresentar projetos de sociedade. Sem organização popular e política, mesmo as conquistas importantes permanecem frágeis diante do poder econômico, da manipulação da informação e das ofensivas autoritárias.

A sociedade de classes não será superada apenas porque o país possui riqueza suficiente. Sua superação exige enfrentar a concentração da terra, do capital, da comunicação, da tecnologia e do poder político. Exige democratizar não somente o acesso aos bens, mas também as decisões sobre o que produzir, como produzir e para quem produzir.

Esse processo não nasce de um ato isolado nem de uma única eleição. É uma construção histórica feita de consciência, organização, participação e conquistas acumuladas.

A eleição como passagem, não como chegada

As eleições de 2026 podem melhorar as condições dessa caminhada. Podem proteger direitos, impedir retrocessos e eleger governos e parlamentos comprometidos com a democracia, a justiça social e a preservação ambiental.

Mas a eleição deve ser compreendida como uma passagem, não como ponto de chegada.

Uma vitória que não produza consciência pode ser passageira. Uma vitória que não forme novas lideranças pode se tornar dependente de poucos nomes. Uma vitória que não fortaleça a organização popular corre o risco de deixar o povo novamente como espectador da política.

Precisamos vencer eleitoralmente e, ao mesmo tempo, ampliar a capacidade coletiva de compreender, decidir e agir.

O Brasil pode construir uma sociedade na qual ninguém seja condenado à fome, ao abandono ou à humilhação. Essa possibilidade existe, mas não se realizará automaticamente. Será necessário transformar recursos em direitos, riqueza em dignidade e esperança em organização.

Nosso compromisso pode ser expresso em três movimentos inseparáveis:

Vencer o retrocesso, porque a democracia precisa ser protegida.

Melhorar a vida agora, porque o sofrimento do povo não pode esperar.

Organizar democraticamente o futuro, porque nenhuma conquista estará segura sem consciência, participação e poder popular.

As eleições de 2026 podem abrir a porta. Caberá ao povo organizado mantê-la aberta e, por ela, fazer passar um novo projeto de país.

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