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Mogi pela Palestina: quando a dignidade rompe o cerco

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Por PPPlebeu – Vozes do Comum Há gestos que não cabem no cálculo do possível, mas que se tornam necessários pela urgência da História. Foi isso que aconteceu no ato organizado pelo coletivo Mogi pela Palestina , neste território onde o conservadorismo tenta erguer muros contra a solidariedade internacional e a crítica. Em plena praça, no coração de uma cidade acostumada ao silêncio obediente, vozes se levantaram para dizer o óbvio: está em curso um genocídio, e o Estado de Israel é seu agente principal. Não há como disfarçar a barbárie com retórica diplomática. Não há como fingir neutralidade diante da morte em massa. Um ato de vanguarda no deserto simbólico Mogi das Cruzes não é Tel Aviv, nem Ramallah. Mas a geopolítica da injustiça atravessa cada rua, cada esquina. Quando Gaza é bombardeada, a lógica do massacre reverbera aqui, na militarização das periferias, na repressão contra a juventude preta, na destruição...

Participação Popular: da condição humana ao instrumento de transformação social

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Por que falar de participação popular? Essa é uma pergunta que ganha cada vez mais relevância em tempos de crises políticas, sociais e ambientais. Quando se debate o futuro da democracia, a justiça social ou o acesso aos bens comuns, a participação das pessoas não é apenas desejável — ela é fundamental. A participação como condição natural e histórica Desde os primórdios da humanidade, a vida em sociedade sempre implicou algum tipo de participação coletiva. O ser humano, como já dizia Aristóteles, é um ser político por natureza. Isso significa que viver em grupo, cooperar, disputar ideias e construir acordos são práticas que nos acompanham desde as primeiras formas de organização social. Seja em pequenas comunidades ou em grandes cidades, nada se constrói ou permanece sem o envolvimento das pessoas. Toda organização — pública ou privada, civil ou militar, religiosa ou laica, científica ou tradicional — depende da participação ativa ou passiva de indivíduos e coletivos. Cada pro...

Quando a cidade vira as costas para a mata

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Mogi das Cruzes é uma cidade que cresce. Condomínios surgem, bairros se expandem, asfalto chega. Mas a pergunta é: cresce pra onde e pra quem? E a natureza, cresce junto? Na Estrada Rikio Suenaga , região de chácaras, condomínios e mata atlântica remanescente, o que deveria ser um território de cuidado e proteção virou depósito de lixo. Entulho, sacolas, restos de construção e até resíduos domésticos estão sendo despejados às margens da estrada e, pior, dentro das nascentes que abastecem córregos da cidade. A cada saco preto jogado no mato, uma ferida se abre na terra. A denúncia foi feita in loco, com registros em fotos e vídeos, mostrando o que muitos preferem não ver. Porque é mais fácil não ver. Mas não ver não resolve. Esse cenário é estratégico para Mogi das Cruzes. Estamos falando de um dos últimos corredores ecológicos da cidade, onde o verde resiste à pressão da urbanização descontrolada. Onde a água nasce, onde o solo respira. Deixar esse espaço ser destruído é u...

O Sentido Revolucionário do diálogo frente à distopia bolsonarista

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Vivemos tempos em que o diálogo deixou de ser apenas uma virtude democrática e se tornou um gesto revolucionário. Desde a ascensão do bolsonarismo, o Brasil testemunhou uma radicalização da antipolítica, da violência simbólica e da recusa do outro. O bolsonarismo não foi apenas um projeto de poder, mas uma máquina de destruição do campo do diálogo. Ele transformou a conversa em confronto, o debate em briga, a escuta em zombaria. As palavras deixaram de ser pontes e passaram a ser armas. No lugar do argumento, o meme venenoso. No lugar da reflexão, o ataque. No lugar da escuta, o cancelamento e o silêncio forçado. O bolsonarismo aprofundou uma cultura do ódio onde o outro é sempre um inimigo e nunca um interlocutor. Isso não aconteceu por acaso. O diálogo profundo é uma ameaça real a qualquer projeto autoritário, porque o diálogo obriga a abrir a escuta, a reconhecer a humanidade do outro, a expor as contradições da própria visão de mundo. Por isso, a destruição do diálogo foi uma peç...

A Várzea Chora — e seguimos escutando

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Hoje é 10 de julho de 2025 . Seis meses se passaram desde que, em 27 de dezembro de 2024 , registramos em vídeo, palavras e presença a violência em curso contra a várzea do Rio Tietê , em Suzano. Mas a denúncia permanece viva . Porque o crime não cessou. Porque a terra continua sendo ferida. Porque a água ainda tenta respirar debaixo do entulho. A denúncia é sempre Aquela estaca fincada na beira da várzea — símbolo da especulação, da arrogância, da mentira legalizada — ainda está lá . A placa que prometia “Parque Municipal” segue como engodo , enganação, insulto. Enquanto isso: As nascentes seguem sendo aterradas. A biota, silenciosamente, morre. O povo é afastado do território que lhe pertence por direito ecológico, histórico e simbólico. A várzea chora. E é preciso saber ouvir esse choro . Não se ouve com o ouvido apressado. O choro da várzea é um sussurro encharcado : de sapo, de planta sufocada, de memória ribeirinha, de criança que não v...

Babel Sensivel — Repositório de escuta digital, sensível e emancipatória

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Este repositório reúne ferramentas, bibliografia e exemplos comentados sobre a captação, interpretação e transcrição sensível de som e emoção em tempo real, entendendo esse processo como um caminho para a superação simbólica do Mito de Babel. Propõe-se aqui um idioma comum digital, relacional e pluriversal, capaz de transcrever culturas e expressões sem apagá-las e, pelo contrário, construir entendimento e práticas para respeito às diferenças, à diversidade e avançar na construção coletiva do saber. 1. Núcleo Bibliográfico Consideração Crítica sobre as Referências Técnicas Embora este repositório valorize o instrumental técnico e as contribuições científicas aqui reunidas, é necessário reconhecer que boa parte das referências técnicas e científicas parte de pressupostos epistemológicos conservadores , funcionalistas e universalistas. Essas abordagens: Reduzem emoções a estados discretos e mensuráveis; Abstraem o contexto cultural, histórico e simbólico do sentir humano;...

Cuidar da cidade não pode custar a saúde de quem a protege *

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Num tempo em que tudo se mercantiliza, inclusive a esperança, o discurso da “segurança pública” não pode ser usado como atalho político. A Câmara de Mogi das Cruzes se sentiu pressionada a aprovar, o Projeto de Lei nº 115/2025 que cria a chamada Diária Especial por Atividade Complementar (DEAC), uma espécie de sobrejornada paga a integrantes da Guarda Civil Municipal. Aparentemente inofensiva, a proposta revela, no entanto, um modelo de gestão que não percebe que combater a violência — não significa transferir, silenciosamente, para os ombros do trabalhador público a resposabilidade do BO. Sob o véu da voluntariedade, o projeto abre caminho para um desequilíbrio profundo. Quem não adere à DEAC perde, na prática, capacidade de sustentar sua própria subsistência diante da corporação. O que se vende como “comprometimento com a cidade” se torna um mecanismo de desigualdade interna, onde o servidor que apenas cumpre sua jornada ordinária abre caminho para ser tratado como menos produtivo....