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Nota Pública: Quando o Editorial se Cala, o Território Grita

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Uma denúncia sobre o silêncio do Mogi News diante da destruição da APA do Rio Tietê. No dia 5 de junho de 2025, Dia Mundial do Meio Ambiente, o jornal Mogi News publicou um editorial genérico e inofensivo celebrando o chamado “Junho Verde”. Falou-se de bons hábitos, de reciclagem, de ações do poder público e da importância de preservar “o que ainda resta” de natureza. Mas o que não foi dito grita mais alto do que todo o texto: o silêncio sobre os problemas concretos que impactam diretamente o meio ambiente na região , como a especulação imobiliária, a ausência de políticas públicas urbanas e a destruição de áreas protegidas como a APA da Várzea do Rio Tietê. Não se trata apenas de esperar mais de um editorial — trata-se de apontar que ao ocultar os conflitos reais, o jornal reitera uma narrativa de sustentabilidade abstrata , que pouco serve à população e muito favorece os que lucram com o desmonte do território. Desde 2023, tramita junto ao Ministério Público Federal uma representa...

Maio das Trabalhadoras: O Mês Termina, Mas a Luta Recomeça

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Maio chega ao fim. Mas o que ele plantou em nós continua florescendo. É o mês em que o povo trabalhador do mundo inteiro levanta a cabeça e lembra: não nascemos para obedecer em silêncio, mas para transformar a vida com as próprias mãos — e com o próprio tempo. Desde as greves de Chicago em 1886 até as mobilizações de hoje, uma bandeira segue tremulando: trabalhar para viver, e não viver para trabalhar. E é com esse sopro de memória e esperança que encerramos maio — com o coração apontando para o que virá. A luta contra o regime 6x1 — essa engrenagem perversa de seis dias de trabalho para um de descanso — entra agora numa nova fase : a construção de um plebiscito nacional, popular, participativo. Vamos consultar o povo. Vamos escutar os trabalhadores. Vamos fazer a pergunta que muitos não ousam fazer: você concorda com uma jornada que rouba seu tempo de viver? A vida não pode caber só no trabalho O regime 6x1 se espalhou como praga em nome da eficiência. Mas quem o vive sabe...

Da alienação à produção: a tecnologia como ferramenta de emancipação popular

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Em meio ao emaranhado de fios invisíveis que nos conectam, pulsa uma oportunidade histórica: transformar a relação que temos com a tecnologia. O celular que carregamos no bolso é, na essência, um computador. Um capital concentrado e, ao mesmo tempo, pulverizado, acessível a quase todas e todos. Porém, este acesso, que poderia ser libertador, muitas vezes nos aprisiona em um papel de meros consumidores: clicamos, compartilhamos, consumimos... mas não compreendemos. Não produzimos. Da mesma forma que os medicamentos industrializados nos afastam dos saberes tradicionais sobre o uso das plantas, a tecnologia moderna tende a ser apresentada como uma caixa preta , inacessível e intocável. Mas há caminhos para romper esse cerco. Assim como é possível substituir o omeprazol pela espinheira-santa , ou a dipirona pelo mil-folhas , podemos substituir a visão fetichizada do hardware — como um aparato inalcançável — por uma compreensão aberta: saber que um processador , uma memória , um ci...

Consciência de Classe no Século XXI: Entre a Fábrica, o Algoritmo e o Sonho

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No início do século XX, entre guerras e revoluções, o filósofo húngaro György Lukács escrevia sobre um tema que ainda hoje nos inspira e questiona: a consciência de classe. Ele via, com os olhos da história, que sofrer não basta. É preciso compreender o porquê do sofrimento, quem lucra com ele e, mais ainda, como organizá-lo como força transformadora. Lukács diferenciava duas realidades: a classe em si e a classe para si . A primeira é objetiva — todos os que vendem sua força de trabalho, ainda que não se reconheçam como parte de um todo. Já a classe para si nasce quando essas pessoas passam a se enxergar como parte de um mesmo processo de exploração e, por isso, decidem lutar juntas. A consciência de classe é, então, mais do que uma noção moral ou uma ideia sociológica: é uma forma de despertar coletivo . Mas entre Lukács e nós há um século de abalos. No tempo dele, a luta era feita no chão da fábrica, no sindicato, na greve, na construção de partidos. A industrialização avança...

Como a linguagem, a filosofia e a luta nos trouxeram até a Inteligência Artificial

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Hoje, muita gente se pergunta como funciona o ChatGPT, de onde vem essa “inteligência” que responde perguntas, escreve textos, debate com estilo e até simula emoção. Mas poucas se perguntam: o que aconteceu na história do pensamento humano para que uma máquina pudesse operar com linguagem? A inteligência artificial que hoje nos fascina — ou ameaça — não nasceu de um truque técnico. Ela é o fruto de uma longa caminhada de perguntas, contradições e disputas sobre o que significa falar, compreender, ensinar, traduzir, nomear. Este texto é um convite para voltar algumas casas no tabuleiro da história — e entender como chegamos até aqui. Quando tudo era palavra Lá na Grécia Antiga, muito antes de haver eletricidade, Platão já se perguntava se as palavras capturavam a verdade das coisas. Para ele, os nomes eram sombras das ideias eternas. Aristóteles, por sua vez, foi mais prático: organizou a lógica com sujeito, predicado, categorias. Ele não sabia, mas estava plantando a semente ...

NOTA PÚBLICA: EM DEFESA DA HISTÓRIA VIVA DA LUTA ANTIRRACISTA EM SUZANO

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A chamada “1ª Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Suzano”, convocada para o dia 17 de maio de 2025 sob o tema “Igualdade e Democracia: Reparação e Justiça Racial”, carrega em seu título uma grave tentativa de apagamento histórico das lutas travadas pelo movimento negro organizado no município nas últimas décadas. Entre os anos de 2005 e 2012, Suzano esteve na vanguarda da promoção da igualdade racial, sendo uma das primeiras cidades do Alto Tietê a realizar conferências municipais em sintonia com o Governo Federal, com ampla participação dos movimentos negros, culturais e sociais. Desses encontros nasceram propostas e delegados que atuaram diretamente nas esferas estadual e nacional, contribuindo para a formulação da Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial (PNPIR). Suzano também foi pioneira na região ao oficializar o dia 20 de novembro como feriado municipal, reconhecendo o Dia da Consciência Negra como data de resistência, memória e reparação. Esses...

Ética, Ordem e Disciplina: A Pedagogia do Conflito e o Combate à Ilusão Cívico-Militar

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Ética, ordem e disciplina são elementos de cultura que possuem origens distintas. A ética nasce da interioridade, da consciência crítica e do desejo humano de justiça. A ordem, enquanto princípio, surge da necessidade de coesão social — nem sempre justa, mas funcional. A disciplina, por sua vez, tem raízes no adestramento, seja militar, monástico ou escolar, configurando-se como ferramenta de moldagem comportamental. Tomados em sua complexidade, esses três vetores não são necessariamente complementares. Quando subordinados a um projeto autoritário, entram em choque. A ética, que pressupõe liberdade e pensamento, colide com a disciplina cega. A ordem, quando erigida como valor absoluto, tende a sufocar a crítica. A disciplina, se não mediada pela pedagogia, torna-se punição. É exatamente nesta contradição que floresce o equívoco das escolas cívico-militares . Defendidas como solução para a “crise educacional”, essas escolas prometem disciplina como remédio para a desordem, hierarq...