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Como a linguagem, a filosofia e a luta nos trouxeram até a Inteligência Artificial

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Hoje, muita gente se pergunta como funciona o ChatGPT, de onde vem essa “inteligência” que responde perguntas, escreve textos, debate com estilo e até simula emoção. Mas poucas se perguntam: o que aconteceu na história do pensamento humano para que uma máquina pudesse operar com linguagem? A inteligência artificial que hoje nos fascina — ou ameaça — não nasceu de um truque técnico. Ela é o fruto de uma longa caminhada de perguntas, contradições e disputas sobre o que significa falar, compreender, ensinar, traduzir, nomear. Este texto é um convite para voltar algumas casas no tabuleiro da história — e entender como chegamos até aqui. Quando tudo era palavra Lá na Grécia Antiga, muito antes de haver eletricidade, Platão já se perguntava se as palavras capturavam a verdade das coisas. Para ele, os nomes eram sombras das ideias eternas. Aristóteles, por sua vez, foi mais prático: organizou a lógica com sujeito, predicado, categorias. Ele não sabia, mas estava plantando a semente ...

NOTA PÚBLICA: EM DEFESA DA HISTÓRIA VIVA DA LUTA ANTIRRACISTA EM SUZANO

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A chamada “1ª Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Suzano”, convocada para o dia 17 de maio de 2025 sob o tema “Igualdade e Democracia: Reparação e Justiça Racial”, carrega em seu título uma grave tentativa de apagamento histórico das lutas travadas pelo movimento negro organizado no município nas últimas décadas. Entre os anos de 2005 e 2012, Suzano esteve na vanguarda da promoção da igualdade racial, sendo uma das primeiras cidades do Alto Tietê a realizar conferências municipais em sintonia com o Governo Federal, com ampla participação dos movimentos negros, culturais e sociais. Desses encontros nasceram propostas e delegados que atuaram diretamente nas esferas estadual e nacional, contribuindo para a formulação da Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial (PNPIR). Suzano também foi pioneira na região ao oficializar o dia 20 de novembro como feriado municipal, reconhecendo o Dia da Consciência Negra como data de resistência, memória e reparação. Esses...

Ética, Ordem e Disciplina: A Pedagogia do Conflito e o Combate à Ilusão Cívico-Militar

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Ética, ordem e disciplina são elementos de cultura que possuem origens distintas. A ética nasce da interioridade, da consciência crítica e do desejo humano de justiça. A ordem, enquanto princípio, surge da necessidade de coesão social — nem sempre justa, mas funcional. A disciplina, por sua vez, tem raízes no adestramento, seja militar, monástico ou escolar, configurando-se como ferramenta de moldagem comportamental. Tomados em sua complexidade, esses três vetores não são necessariamente complementares. Quando subordinados a um projeto autoritário, entram em choque. A ética, que pressupõe liberdade e pensamento, colide com a disciplina cega. A ordem, quando erigida como valor absoluto, tende a sufocar a crítica. A disciplina, se não mediada pela pedagogia, torna-se punição. É exatamente nesta contradição que floresce o equívoco das escolas cívico-militares . Defendidas como solução para a “crise educacional”, essas escolas prometem disciplina como remédio para a desordem, hierarq...

Soberania Simbólica: Quem nomeia o mundo, molda o mundo

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Vivemos uma época em que as guerras não se travam apenas com tanques ou decretos. A principal batalha do nosso tempo é travada no território dos símbolos. Quem domina a linguagem, domina o imaginário. Quem controla os algoritmos, redesenha o desejo. Quem impõe os signos, organiza o mundo à sua imagem. É nesse contexto que propomos um conceito que nos parece urgente: soberania simbólica . Soberania simbólica é o direito dos povos de nomear o mundo com suas próprias palavras. É a capacidade coletiva de produzir sentidos, conceitos, visões de futuro e narrativas que não estejam subordinadas à lógica do lucro, do medo ou do silenciamento. É um gesto de insurgência contra o epistemicídio, contra a publicidade que dita valores, contra os monopólios digitais que nos vendem distração como se fosse liberdade. É retomar aquilo que Paulo Freire já nos ensinava: quem não pode dizer sua palavra, não pode ser sujeito da sua história. Hoje, os símbolos estão sequestrados. Palavras como “famíl...

José Mujica: a semente que nunca morre

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Morreu ontem, aos 89 anos, o ex-presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica . Mas dizer “morreu” é dizer pouco, ou talvez errado. Porque um ser humano com esta dimensão e com esta estatura nunca morre . Muito além do tomateiro — que ele prometeu cultivar ao deixar a presidência — está a experiência concreta, profunda e militante que Mujica encarnou com a lucidez de quem viveu no limite entre o cárcere e a liberdade, entre o silêncio das solitárias e a força dos parlamentos. Mujica não governava apenas com decretos, mas com o exemplo sereno : o da renúncia aos luxos, o da vida na chácara, o do Fusca velho, o da política como extensão do cuidado. Sua vida foi um gesto contínuo de amor pelo comum, pelo povo, pelos que sujam os pés de barro e lavam a alma em esperança. Foi guerrilheiro, foi presidente, foi agricultor, foi filósofo dos gestos simples. Mas acima de tudo, foi humano em sua radicalidade . E isso, num mundo anestesiado pela aparência e pelo mercado, é talvez a mais revoluc...

Leão XIV: a escolha de um nome, o sinal de um tempo

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Neste oito de maio de 2025 o mundo assistiu à eleição do novo pontífice da Igreja Católica. E não foi uma escolha qualquer: o novo Papa adotou o nome Leão XIV, gesto carregado de simbolismo histórico e de oportunas e preciosas repercussões políticas e espirituais para o futuro da Igreja e do mundo. Em seu primeiro discurso, Leão XIV falou com serenidade e firmeza: saudou os povos com a paz de Cristo, agradeceu a Francisco, reafirmou o espírito sinodal e se declarou discípulo de Santo Agostinho; falou de pontes, diálogo, proximidade, caridade e missão. O tom é de continuidade. Mas o nome escolhido aponta para algo mais, uma inflexão histórica que merece atenção, uma convocação: Leão XIV e a memória da Rerum Novarum. Ao escolher esse nome, o novo papa se alinha diretamente à figura de Leão XIII, autor da encíclica Rerum Novarum (1891), que inaugurou a Doutrina Social da Igreja. Aquela carta apostólica foi um divisor de águas: denunciou os abusos do capitalismo industrial, defendeu o dir...

Leão XIV: entre a continuidade sinodal e o retorno ao confronto com as estruturas

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A escolha do nome Leão XIV, em vez de João XXIV, é um gesto carregado de significado político e teológico. João XXIII, ao convocar o Concílio Vaticano II, tornou-se símbolo da abertura, da pastoralidade e da renovação eclesial. Escolher “João XXIV” seria uma sinalização de continuidade explícita com as reformas conciliares. No entanto, Leão XIV aponta para outra dimensão: a do enfrentamento histórico com as “coisas novas” do mundo moderno, como fez Leão XIII em 1891 com a encíclica Rerum Novarum . O novo papa não nega a linha pastoral de Francisco — pelo contrário, reafirma a centralidade de uma Igreja sinodal, missionária e próxima dos que sofrem. Mas ao escolher Leão XIV, indica um desejo de intervir nas bases morais e sociais da organização global, como fez a Doutrina Social da Igreja no final do século XIX ao confrontar o capitalismo liberal selvagem e o socialismo autoritário. A Rerum Novarum não foi apenas um documento pastoral; foi uma intervenção nas estruturas. Ao proclamar o...