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Transporte público e justiça territorial: o que São Paulo decide reverbera no Alto Tietê

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A fala do vereador paulistano e urbanista Nabil Bonduki escancara a crise do planejamento metropolitano e os impactos da privatização nas periferias da Grande São Paulo. A mobilidade urbana na Região Metropolitana de São Paulo enfrenta um grave processo de desorganização, refletido especialmente nas cidades do Alto Tietê, como Suzano, Mogi das Cruzes e Ferraz de Vasconcelos. A ausência de um planejamento metropolitano integrado, aliado à fragmentação das políticas públicas e à crescente privatização do transporte coletivo, tem comprometido o direito de ir e vir de milhares de trabalhadores e trabalhadoras. O urbanista e vereador de São Paulo , Nabil Bonduki, tem sido uma das vozes mais lúcidas e consequentes nesse debate. Em entrevista ao Brasil de Fato , ele alertou: “A Prefeitura de São Paulo está se desfazendo dos seus quadros técnicos e entregando a gestão para o setor privado.” Essa crítica ganha ainda mais peso quando lembramos que as decisões tomadas na metrópole paulistan...

Reconhecer antes de convocar: reflexão sobre escuta, confiança e organização popular em tempos de dispersão

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Companheira, companheiro, camarada: Escrevemos esta carta em tempos de disputa dura sobre o presente e o futuro do nosso país. Temos consciência de que o projeto que estamos construindo nasce no marco da luta por um Estado democrático de direito — aquele que garanta direitos, respeite a dignidade de todas as pessoas e seja instrumento da soberania popular. Mas não podemos fechar os olhos para o que está em curso. Em São Paulo, o governo Tarcísio promove a privatização do que é público , o sucateamento das políticas sociais e o afastamento das decisões das mãos do povo . No campo econômico, vozes como a de Armínio Fraga — ao defender o congelamento do salário mínimo por seis anos — revelam a profundidade da lógica excludente e antipovo que ainda governa muitas esferas do Estado e da economia. Essa combinação entre Estado ausente , elite econômica predadora e política desumanizante tem dispersado nossa base social, desmobilizado lideranças, e ferido comunidades inteiras....

Cem Dias de Governo em Suzano: o verde que comunica e a cidadania que mobiliza… até onde?

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Por Instituto Ideias no Lugar – Abril de 2025 Nos primeiros 100 dias da gestão Pedro Ishi, duas iniciativas da Prefeitura de Suzano chamaram atenção: o Plano de Arborização Urbana e o Projeto SER – Eixo Mulher . Ambas foram celebradas como marcos simbólicos do início de governo. Mas, ao olharmos com atenção, o que essas ações realmente revelam sobre a direção política que está sendo construída? Arborização que educa... mas transforma? O Plano de Arborização mira o plantio de 1.500 mudas até o fim do ano. Projetos como “Replantar” e “Árvore FamiliAR” convidam famílias a se engajarem no plantio coletivo, oferecendo experiências educativas e reforçando o pertencimento à cidade. Iniciativas como essas são bem-vindas. Mas há uma pergunta que não pode ser ignorada: qual é o impacto real desse plano na política ambiental da cidade? A ação não informa: Qual o índice de sobrevivência das mudas? Como os plantios dialogam com o plano diretor urbano e o enfrentamento da...

A dor de incluir: o que revela o Dia Nacional da Educação Inclusiva

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Lembro da primeira vez em que vi um estudante com deficiência sendo deixado de lado durante a aula. Estávamos todos ali, no mesmo espaço, mas não na mesma experiência. Enquanto seguíamos os exercícios, ele era deixado sob a guarda de uma monitora, isolado — como se sua presença fosse um gesto de caridade, não um direito. Foi ali que me caiu a ficha: aquela escola não era, de fato, para todos. Era para quem se encaixava. Para quem aprendia “no tempo certo”, para quem conseguia acompanhar a norma, para quem não “atrapalhava”. Hoje, ao lembrar disso no 14 de abril, o chamado Dia Nacional de Luta pela Educação Inclusiva , não consigo sentir comemoração. Sinto incômodo. Sinto denúncia. Porque, se precisamos de uma data como essa, é porque o sistema educacional falhou — e segue falhando — em garantir o mais básico: o direito de aprender com dignidade. A expressão “educação inclusiva” já nasce marcada por uma contradição. Se a educação fosse de fato o que promete ser — instrumento de em...

Ao lado de Inês Paz

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Quando uma mulher levanta a voz em nome do povo, o sistema treme. Quando ela transforma mandato em mutirão, dor em cuidado, Câmara em sala de aula — é aí que tentam silenciá-la. É isso que está acontecendo com Inês Paz , vereadora do PSOL em Mogi das Cruzes, educadora, militante, filha do chão e da fé popular. Acusada, não por roubo, não por conchavo, não por abuso de poder — mas por fazer da política um serviço coletivo. Por ajudar quem precisa. Por fazer do gabinete um espaço de solidariedade real. O Ministério Público lançou uma denúncia. Ainda não recebida pela Justiça. Sem julgamento. Sem condenação. Mas com manchetes prontas, vozes oportunistas e venenos conhecidos. Nós dizemos: não aceitaremos o linchamento simbólico de uma lutadora do povo. Não é só a Inês quem está sendo julgada. É o tipo de política que ela representa: ética, popular, feminista, feita com a base. Uma política que incomoda quem sempre governou para os mesmos de sempre. Lembramos aqui de Antígona , qu...

DESPERTA SUZANO! Panfleto Poético de Conscientização Popular em Suzano

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do Palco e do Padrinho No aniversário a cidade vira palco, Com luz, fogão, fogos e celebridade. Mas por trás da cortina e do estalo, Há contrato, vaidade e falsidade. A firma paga, mas não por bondade: É a mesma que limpa ou asfalta o asfalto. O “presente” é dívida disfarçada, Com lucro certo e povo feito de salto. Quem dança nesse palco, dança por quem? O povo aplaude, mas sem hospital. O som explode, mas e o bem comum? No fim, é festa pra manter o mal. Mas a verdade — teimosa como ninguém — Canta mais alto e chega como um tamborim. "Se a festa é luxuosa, o povo desconfia — quem paga o artista, esconde a covardia!" da Traição Silenciosa De um sonho antigo feito em mutirão, Surgiu um grupo com raiz no chão. Mas veio a fome, o cargo, a tentação, E a base ruiu sem revolução. Marcelo foi abrigo e horizonte, Mas viu seu povo ser cooptado aos poucos. Calaram as ideias, secaram a fonte, Ficaram só sorrisos falsos e roucos. A oposição virou quase m...

IRA! — Quando a resistência pega o microfone

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Quando a resistência é feita por uma banda como o Ira! , tudo muda de figura. Muda a amplitude da mensagem, quebra muros entre bolhas que não se falavam, conecta o grito da periferia com os ouvidos do centro, e reverbera nos becos, nas universidades e até nos púlpitos. Não é só rock. É o plebeu falando alto com guitarra distorcida. É a dor e o sonho da cidade traduzidos em versos como "Envelheço na Cidade" ou "Dias de Luta". E quando isso acontece, o povo se sente representado. O plebeu com sua irreverência e rebeldia se vê nas letras, mas também se percebe parte de algo maior — algo que as filosofias críticas, as ciências sociais e as teologias da libertação sempre buscaram: dar nome ao sofrimento e transformar a realidade. Formada em 1981, em plena ditadura de transição, o Ira! surge como resposta estética e política à pasmaceira cultural e ao autoritarismo. Com raízes no punk e no rock nacional, a banda se tornou um dos maiores símbolos do inconformismo musi...