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CARTA PÚBLICA À SOCIEDADE DE SUZANO

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Pelo Fim do Assédio e da Captura Política na Administração Pública Municipal   “A autoridade é justa quando serve ao bem comum.  O poder só é legítimo quando nasce do dever de cuidar." 1. Introdução: o sentido republicano da autoridade O papel da autoridade pública é essencial para garantir o equilíbrio no exercício do poder e a efetividade do direito das pessoas. Cabe-lhe zelar pela harmonia entre os Poderes, pela eficiência das funções de Estado e pela integridade das instituições que asseguram a justiça, o bem comum e a continuidade das políticas públicas. Tal responsabilidade não se limita à gestão técnica ou ao cumprimento formal de atribuições: exige compromisso com os princípios republicanos, fidelidade aos valores democráticos e uma vocação política enraizada na escuta, na transparência e no serviço ao povo. Exercitar a autoridade, nesse sentido, é reconhecer que todo poder só é legítimo quando se converte em dever — o dever de proteger direitos, promover a i...

A dimensão humana para uma economia do ser

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Vivemos um tempo em que o humano, ao multiplicar suas criações, arrisca perder a si mesmo. A economia, que deveria ser a arte de cuidar da casa comum, tornou-se máquina autônoma, insensível, guiada pelo cálculo e pela abstração. A ciência, que nasceu do espanto, curva-se cada vez mais à eficácia; e a cultura, que deveria servir à comunhão dos sentidos, é capturada pelo mercado das identidades e pela estetização do consumo. Nesse cenário, o humano parece dissolver-se naquilo que produz — e, quanto mais domina o mundo, menos o habita. Por isso é urgente recuperar um princípio primeiro e último: nenhuma economia, ciência ou cultura tem sentido se não colocar a pessoa humana — em sua totalidade sensível, histórica e criadora — no centro e no fim de sua ação. E talvez, para restaurar esse centro, seja preciso também recuperar a irreverência , essa faísca rebelde que faz o espírito não aceitar a ordem do absurdo. É dela que brota a consciência viva — e é nela que o humano reencontra su...

O Tempo e o Fogo

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Ontem o fogo subiu o morro. Não era um incêndio distante, desses que aparecem na televisão e passam logo depois de uma reportagem sobre economia. Era o fogo vivo, ardendo no pasto, chamando pelo nome da gente, queimando perto das raízes e dos telhados. Dava pra sentir o cheiro da terra virando cinza, e entendi o que é o tempo quando decide falar com força: ele não avisa, não pede licença, apenas mostra que mudou. A colina que sempre resistiu, verde mesmo em agosto, amanheceu seca demais — e bastou um descuido, um fósforo, um gesto velho de limpar o terreno com fogo para que a natureza, cansada, respondesse com fúria. Dizem que as queimadas fazem parte do ciclo da roça, que o pasto precisa se renovar, que é assim desde os tempos dos avós. Mas não é mais o mesmo tempo. O sol de agora é outro, a umidade foi embora, os ventos mudaram de rumo, e o fogo já não obedece a ninguém. Desta vez ele pegou onde nunca tinha pegado. Subiu o morro, cercou árvores antigas, assustou pássaros, e fez o c...

Um Ano Depois — A Dignidade da Luta

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Hoje faz um ano das últimas eleições. Entre todas as batalhas que já vivi, esta foi, sem dúvida, a mais difícil. Enfrentamos um cenário de dispersão da base social, de cooptação de aliados e de criminalização da própria política. A máquina do poder jogava pesado, e o governo que nos derrotou conseguiu atravessar o processo eleitoral sem ser questionado — protegido por uma aparente normalidade que esconde as feridas da cidade. Mesmo assim, não nos calamos . Fizemos uma campanha propositiva, feita de ideias, esperança e compromisso. Sem recursos, sem tempo e quase sem espaço, realizamos um terço do que gostaríamos — mas o que fizemos foi verdadeiro. Lutamos para restaurar o sentido da política , para provar que ainda é possível falar de justiça, solidariedade e futuro com o povo de Suzano. Por isso, hoje, não celebramos uma vitória eleitoral. Celebramos algo maior: a dignidade de continuar lutando . Porque, quando a esperança é mantida, a derrota é apenas uma pausa no caminho. Segu...

O Óbvio, quem decide, decide a vida, estabelece o rumo.

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Vivemos um tempo em que o capitalismo se esgotou. Cada vez que parece atingir sua forma mais sofisticada de dominação, revela o contrário: não amadurecimento, mas destruição; não progresso, mas guerra; não liberdade, mas usurpação. Os monopólios privados que se erguem como símbolos de poder não se contentam em acumular riquezas; precisam se apropriar de espaços de circulação, capturar os meios de comunicação, violentar as periferias do mundo e recomeçar sempre o mesmo ciclo: devastam, concentram, repartem entre si as sobras e recompõem uma minoria privilegiada, renovada dentro de uma elite conservadora e predatória. Hoje, o poder não se manifesta apenas no controle da fábrica ou da terra, mas sobretudo no domínio da circulação. Quem controla a ponte controla o destino. Quem decide o trânsito decide também a vida. Mas o monopólio não se mantém sozinho. Ele sobrevive porque é capaz de produzir consenso, porque sabe persuadir, porque se apoia em instrumentos de propaganda e construção d...

Suzano: Treze Anos de Solidão

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De minha janela, vejo o rodoanel serpenteando o horizonte, os contornos da malha urbana de Suzano, um pedaço de Mogi das Cruzes, o sopro de Poá. Vejo também um silêncio pesado, feito de promessas não cumpridas, de obras morosas, de bairros esquecidos. É o silêncio da cidade que vive uma espécie de Macondo paulista , atravessada não por cem, mas por treze anos de abandono. Gabriel García Márquez escreveu que Macondo foi condenada a cem anos de solidão porque não soube decifrar seus próprios pergaminhos. Suzano, hoje, carrega seus pergaminhos em relatórios oficiais, discursos de campanha e planos que não viram futuro. Pergaminhos que anunciam não um destino inevitável, mas um ciclo de repetição: hospitais que não abrem as portas, educação que caminha por osmose, centro que se desconecta do tempo, várzea aterrada pelo peso da especulação. Na saúde, o povo sofre golpes sucessivos: o hospital de retaguarda sem portas abertas, o hospital regional transformado em obra midiática, a Santa C...

Inês Paz: oposição firme e compromisso com Mogi das Cruzes

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A trajetória de Inês Paz (PSOL) em Mogi das Cruzes é marcada por uma coerência rara: a combinação entre a firmeza da oposição aguerrida e a dedicação incansável às políticas públicas que transformam a vida das pessoas. Seu mandato se distingue pelo posicionamento crítico e duro diante de ações do governo que contrariam os princípios democráticos e o programa do PSOL. Mas, ao mesmo tempo, Inês nunca deixou de colocar a cidade em primeiro lugar. Há mais de três décadas, Inês é referência democrática e popular em Mogi. Com mandato ou sem mandato, sua militância pela justiça social, pelos direitos humanos, pela educação pública de qualidade, pela defesa das mulheres e pela luta socialista segue inabalável. Sua presença é memória viva de que a política não é apenas ocupação institucional, mas vocação de serviço coletivo. O gesto recente, ao lado da prefeita Mara Bertaiolli (PL) na cerimônia de assinatura das reformas em 16 UBSs do município, traduz essa maturidade política. Sem abrir mã...