O mundo ainda tá aberto! 2026 como tempo de escolha.
Entramos em 2026 sem garantias claras do que virá pela frente. Não há mapas seguros nem promessas tranquilizadoras. O mundo, que parecia caminhar para algum tipo de estabilidade mínima, voltou a se mover de forma errática. As coisas seguem acontecendo, às vezes rápido demais, outras de modo quase invisível, mas sempre exigindo de nós algum tipo de posicionamento. O que antes parecia absurdo passou a ser administrável. A crise deixou de ser exceção e virou parte do cotidiano.
É tempo, portanto, de escolha. Não no sentido grandioso das palavras de ordem, mas na dimensão concreta da vida: como seguimos organizando o trabalho, o cuidado, a política, o aprendizado. As escolhas já não se apresentam como caminhos claros; aparecem como desvios possíveis em meio a um terreno instável. Escolher, hoje, é mais próximo de assumir riscos do que de seguir certezas.
A tecnologia segue avançando, mas de forma desigual. Produz conforto para alguns, precariedade para muitos, dependência para quase todos. Ela promete eficiência, mas frequentemente entrega controle. Promete liberdade, mas redefine silenciosamente o que podemos ver, dizer e fazer. Não se trata de recusá-la, mas de perguntar: a serviço de quê, e de quem, ela opera?
No mundo do trabalho, as transformações se acumulam. Profissões desaparecem, outras surgem sem nome definido. A ideia de carreira linear se dissolve, e com ela parte das referências que sustentavam projetos de vida. A informalidade não é mais exceção; é regra disfarçada. A formação contínua deixa de ser escolha e passa a ser exigência — muitas vezes sem o suporte necessário para que seja, de fato, possível.
A política, por sua vez, parece oscilar entre o espetáculo e o esvaziamento. Há muito ruído, pouca escuta. A disputa simbólica ocupa mais espaço do que o debate real sobre as condições materiais da vida. Ainda assim, é nesse terreno imperfeito que se decide o destino comum. Afastar-se da política não nos protege dela; apenas nos retira do conflito enquanto outros decidem.
Talvez o maior desafio de 2026 seja sustentar a capacidade de julgamento. Não agir por reflexo, não aderir por medo, não desistir por cansaço. Manter a atenção. Cultivar vínculos. Defender direitos sem aceitar favores. Reconhecer limites sem abrir mão da dignidade. Isso não se resolve em slogans, mas em práticas cotidianas, repetidas, imperfeitas.
O mundo ainda está aberto — e isso não é uma frase de conforto. É um aviso. Aberto significa indeterminado, disputado, vulnerável. Significa que nada está dado, mas tudo está em jogo. 2026 não nos pede heroísmo, mas responsabilidade. Não nos pede certezas, mas escolhas feitas com consciência do seu peso.
No fim, talvez seja isso: escolher como viver em meio à complexidade, sem negar o mundo que existe, mas sem aceitar que ele seja o único possível.
Sigamos!

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