5 de jan de 2012

Um reflexão sobre a China.

Se tiverem um tempo dêem uma lida. A data não importa, o texto é bem atual e interessante.


Sobre a China: uma escolha a fazer.

Sobre a China estamos na hora de dever escolher. Ou estamos com quem, por uma razão ou outra, hostiliza e critica a priori qualquer coisa que o governo chines faz. Ou assumimos uma postura de realismo e abandonamos todas as varias formas de preconceito antichines.

Porque a realidade é que os EEUU usam qualquer argumento para impedir que a China se desenvolva e possa em poucos anos virar a primeira economia a nivel internacional. E os EEUU, que se  se consideram a unica superpotencia e que se atribuem o direito de mandar no mundo inteiro vêm hoje na China é o principal obstáculo à propria supremacia!

Por isso, particularmente nos últimos anos todos os  argumentos são usados para tentar encurralar a China e criar uma atmosfera favoravel para uma   nova "guerra fria".


Tibet ,Dalai Lama,Sinkiang, Islami,Go ogle, cambio, prisões de dissidentes, salários baixos, conflitos na Koreia, rivalidade com o Japão ou com a India , etc, etc, etc.......E' uma interminavel ladainha de demonização da China .


E, o que é pior, esta  política americana tem o apoio por parte de partidos de esquerda (particularmente na Europa) e também de pessoas que se consideram democraticas e pela paz.

Algums dos  problemas da China  são bem reais. Outros são enfatizados. Outros  são só propaganda. Mas todos são repetidos obsesivamente e com petulância pela mídia corporativa nacional e internacional ligada aos interesses americanos e tem como único objetivo: passar uma imagem toda negativa da China.

Um exemplo é a questão do Tibet:


A população tibetana tem justas rivendicações de autonomia e de respeito da sua cultura. Mas é verdade também que hoje a maioria da população do Tibet é de origem chinesa. Emigraram nos siglos e nas decadas passadas em busca de trabalho. Devem ser todos rempatriados? E a distruição durante a revolução pelo governo chines do sistema feudal tibetano baseado no trabalho forçado de camponeses e pastores miseraveis a favor de poucos milhares de monges representa um fato irreversível.



E quem financia as inúmeros viagens do Dalai Lama e de seus seguidores?

E os presidente dos EEUU e o Congresso  que recebem oficialmente sempre o Dalai Lama por quê nunca receberam os representantes do outros  separatismos (aquele do Kashmir ou kurdo ou basco ou norte irlandes ) ?


E é fantasia pensar que um Tibet "independente" viria ser uma imensa base militar dos EEUU (o mesmo que aconteceu com o Kossovo)?


Ainda mais problemática pelos chineses é a situação na grande região do Sinkiang onde vive uma minoria muçulmana. Se prevalessem as organizações separatistas (financiadas faz decadas pelos EEUU) seria um quinto do território a sumir da mapa da China. E é uma região onde os americanos impuseram as suas  bases militares aos governos das ex repúblicas soviéticas: bases militares que  servem hoje para alimentar a guerra contra o  Afganistan (pais, alias, que tem fronteira com a China).


E qual é hoje a estratégia do governo chines para conter no Tibet ou no Sinkiang as pulsões separatistas e até terroristas?  Costruir rodovias, ferrovias, aeroportos, desenvolver a agricultura e o comércio, instalar fabricas alem de hospitais, universidades, centros inter-culturais. Pode não ser suficiente mas temos que apostar que o problema das minorias etnicas seja resolvido sem conflitos nem repressões. Em todo caso que seja bem vinda a rodovia e a ferrovia que iram coligar o centro da  China com o sul da Europa. 



Bem mais util para combater o estremismo religioso que a "guerra ao terror" dos americanos e da Otan! 
Porque a China foi sempre  um pais multietnico.Na sua milenária historia empre aconteceram conflitos entre a grande maioria de etnia Han (90% da população)  e as dezenas de minorias que totalizam só 10% da população mas ocupam mais do 50% do território. Mas se a China continua a representar um pedaço importante da civilização humana  é porque a convivencia dos diferentes povos acabou por prevalecer sobre o espirito de dominio e de separação.


Claro que os EEUU não tem este problema ja que que as suas populações indígenas foram exterminadas e não representam mais um problema!

E o que todos os democraticos devem entender é que um processo de desintegração ou de isolamento  da China não seria um avanço para ninguém; nem para os chineses que voltariam a ser humilhados e semi colonizados nem para os outros povos da região (como a India), que estão tentando sair da pobreza,  e nem para o resto do mundo que perderia o principal motor atual  de crecimento global.

E as outras questões que os EEUU agitam sistematicamente contra a China?



Tem a questão dos direitos humanos! É um outro problema real mas que deva ser considerado na sua justa perspectiva histórica.

A China de hoje vem de um regime autoritario e revolucionário que destruiu numa geração siglos de feudalismo, de colonialismo, de guerras. E que libertou centenas de milioes de camponeses que  lutavam para ter 1 hectar de terra (a nossa "semi reforma agraria" distribue aos sem-terra 30- 40 hectares). E daquele unico hectar de terra os chineses deviam extrair todo o sustentamento deles. E isto a pesar das secas, das enchentes, dos terremotos, que faziam dezenas de milhoes de vitimas a cada ano.


E foram feitos também muitos errores durante a fase maoista da revolução como o tal "grande pulo" ou a tal de "revolução cultural". Era a época do puro igualitarismo que dividia a pobreza. Mas nos anos 80, abrindo-se ao capital externo e aplicando as técnicas do mercado, a China achou o seu caminho para "aumentar o bolo", criar riqueza  e hoje é a segunda potencia economica do mundo. Com quase um bilhão de pessoas que sairam da pobreza, o que representa  um resultado que nunca  foi alcançado na historia da humanidade.


E tudo isso foi posivel porque foi mantida a função do Estado como regulador da economia e da sociedade. E hoje na China é a politica que manda na economia  e não viceversa (como acontece nos paises capitalistas que conhecemos). E se bem qu as multinacionais operam também na China é o Estado que dita as grandes escolhas economicas e sociais.
    
Mas  é justamente o grande desenvolvimento economico e o crecimento da sociedade civil que obriga  hoje a China a superar aquelas formas de autoritarismo que caraterizaram as primeiras decadas da revolução.


O problema é : qual é o modelo de democracia  que os chineses devem aplicar? Deve ser necesariamente o modelo ocidental  que os chineses chamam de "democracia da porta giratoria"? Um sistema no qual um partido entra outro sai mas ambos precisam de enormes quantias de dinheiro para se  sustentar? E não somos nos ocidentais os primeiros a reconhecer que o nosso tipo de democracia responde sempre menos ao direito das populaçoes de ter uma  parte ativa real na vida politica e social? 

Hoje na China as tentativas de introduzir espaços de participação popular se multiplicam asim como são continuas e divulgadas na imprensa as criticas aos fenomenos de corrupção e de burocratismo que persistem no funcionamento do partido único.


E é também  surpreendente  a disponibilidade em todos os níveis da sociedade e do mesmo governo de conhecer as experienças de outros paises  em matéria de estado de direito, de wellfare, de saúde, de educação, de liberdades individuais, etc. Os chineses querem aprender: este é o dado mais promissor! E uma novidade absoluta nos paises socialistas, ex ou atuais!

  
E quem sabe que , num esforço de corresponder aos desafios de uma sociedade nova, não possam sair justamente da China experiências e formas inovadoras de democracia real que podem tambem ser uteis  para nos?


Afinal temos um fato que nos , aqui' , no Ocidente, perdemos muita da nossa capacidade  de inovar nas ideias e nos valores. Ao contrario: nas nossas sociedades se estão enraizando ideias e praticas, seja politicas que economicas que sociais, que definem um horizonte triste e fechado para as nossas populações. Parecendo quase que, particularmente na Europa e nos EEUU, a democracia seja um optional e que fazer as guerras seja a unica saida para manter o poder.

E enfim uma outra acusação aos chineses que esta virando "senso comun" tambem entre as pessoas de esquerda: 
a China seria o novo imperialismo nem tanto diferente daquele das velhas potencias coloniais!
Quem fala asim demonstra, em primeiro lugar, que sabe pouco do que paises com o Francia, Bélgica, Italia ou Inglaterra fizeram na Africa e na Asia. Fizeram e continuam a fazer! Como se vê hoje na Libia.

Há quem fala de novo imperialismo chines precisaria perguntar: a  China não deveria investir  e comercio na Africa? É algo negativo que os produtos chineses por seu custo baixo possam ser disponiveis  também para as populações de baixa ou baixissima renda? 


A realidade é que se hoje muitos paises africanos començam a sair da miséria é porque acharam um partner que não quer dar aulas de "direitos humanos ", nem de "luta  a corrupção", nem de " exportar a democracia". Aulas que vem de quiem financia conflitos civis, impõe politicas neo-liberais, corta financiamentos, e deslancha  "guerras humanitárias".


Claro! Os chineses não são uma organização de caridade (com tantos pobres ainda na China) e sabem fazer o proprio interesse. E algumas das praticas deles (por ex na area trabalhista) são criticáveis. E também o intercambio baseado só nas materias primas é um problema real (como se vê no Brasil). Mas a demanda é: alguém acha que é com os concertos humanitários em estilo Bono que a populacão africana pode melhorar  a sua vida? Ou é construindo estradas, ferrovias, aeroportos, aquedutos, hospitais, estádios, fabricas, escolas e todo o que serve para uma vida normal ? Os chineses fazem isso. Algo que as potencias ocidentais não fizeram em duzentos anos!


E que não estão fazendo os EEUU que querem tirar só petróleo , ouro e diamantes, instalar bases militares e vender  armamentos. É só considerar que o comercio chines de armas é 2% daquele mundial mentre aquele  americano é mais que 50%, e boa parte é destinado como "ajuda" justamente á Africa. 
É por isso que  hoje na Africa alguns paises estão crecendo a mais de 5-6% e é natural que nestes paises començe a crecer a' influencia chinesa seja econômica ou política.

Isto não significa absolutamente  que está nacendo um novo "campo socialista". Que é o que também os chineses (lembrando a desastrada experiencia da ex Urss) não querem.


Significa só que os paises pobres (na Africa, na Asia mas também na Europa) començam a enxergar a China pelo que ela realmente representa: um contrapeso fundamental as pretensões dos EEUU e dos principais governos europeus de ditar a regras do jogo a nivel mundial.

Por isso chegou a hora que todos os que se consideram democráticos, progressistas, de paz, de esquerda enxergarem a realidade: a China não é o socialismo que a gente sonhava mas a sua existencia e a sua força economica e política nos ajuda a não ser simples suditos do único, verdadeiro "imperio" (que e' aquele  americano) e a manter a nossa independência como paises e como povos.


Antonio Fattore 23-4-2011    

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