Uma sabedoria tardia, um corpo vivo.

O corpo envelhece e com ele chegam as dores, persistentes e sempre novas, como se cada manhã fosse um recomeço incômodo. A velhice nos ensina que a dor não se apaga, mas se transforma em professora: é preciso reaprender a andar, reaprender a respirar, reaprender a existir. Se a juventude serviu para aprender e a maturidade para fazer, a velhice se revela como o tempo de reaprender tudo de novo e, talvez, fazer melhor — ainda que reste pouco tempo. Mas esse movimento não é apenas biológico. É também histórico e cosmológico. Assim como o corpo se regenera em suas células, o universo se refaz em estrelas que morrem e renascem, e as culturas humanas se reinventam a partir de seus próprios erros. O tempo humano não está separado do tempo do cosmos. Carregamos nos ossos o cálcio das estrelas, nas sinapses a memória da espécie, nos símbolos as ilusões e as verdades de milênios. Não podemos, porém, falar apenas de sabedoria como se fosse conquista serena. A história nos mostra erros, eng...