12 de jun de 2014

MERA MARÉ


Sutileza de uma força,
vezes imperceptível,
contorna e molda terras,
comunidades e continentes,
no tempo e no movimento,
em centésimos de segundo,
em diálogo com os astros,
ultra íntima com a lua,
sobe, desce e resplandece,
buscando uma alma,
um motivo e uma sintonia.

Ganha contornos humanos,
Dá nome a grupos e sonhos,
Organiza uma política,
Se agita na utopia,
de uma gente ousada,
garimpando teimosia,
coloca-se num caminho,
que sem pressa vai dar um dia,
nas portas do céu,
ao final da rodovia.
De uma cultura sem noites e dias,
reconstrói e reinventa,
uma moral de rebeldia.
Para cavalgar uma nova história,
que em nossas mãos se prende,
 com nossas vidas rompe,
toda e qualquer  misantropia.

E por falar em aversão,
e enfrentar sua alienação,
não podemos, sabemos,
tapar o sol com a mão.
Ter a intimidade com a lua,
cultuar a força da utopia,
sustentada  na ousadia,
conquistada pela teimosia,
tudo isto faz sentir,
cada vez mais humanos,
Candidos por um dia.

E nos micro segundos da maré,
saímos ruas e praças a fora,
cantando palavras de ordem,
buscando uma nova sorte,
construída em nossa humanidade,
sabemos ser mera maré,
de uma eternidade que em nós,
sem pedir, constrói,
na força de uma sutileza,
o futuro de nossa gente,
conquistando corações e mentes,
numa copa do mundo consequente,
viva 2014. 
Sem medo de enfrentar, lutar e defender
o que percebemos com convicção,
ligados em humana intuição,
aprofundamos nosso pensamento,
comparamos a cada momento, 
desafios de realidade,
por uma nova sociedade,
sabemos que devemos ter direito de construir,
além das utopias, consolidar nosso dia a dia,
na solidariedade da luta consequente,
bradamos com firmesa: a gente quer
JUSTIÇA PRA VALER!

23 de abr de 2013

20 de fev de 2013

59% das leis inconstitucionais são da Câmara de Suzano

Última sessão: câmara de Suzano não deixará saudades! (referente às legislaturas anteriores)


Deficiência do Poder Legislativo de Suzano atrapalha a cidade crescer



O tempo é o Senhor das Coisas


Diário de Suzano - 20fev2013


Nossa busca por uma cidade democrática, participativa e sustentável exige a colaboração de todos e de todas.  Contudo, compete ao poder público, escolhido pela população, a coordenação dos trabalhos e dos esforços necessários para que possamos produzir a cada dia uma cidade melhor, tanto para nós, como para as gerações futuras.

Todos nós, cada um com sua vocação, esforço, trabalho, sonhos, desafios e eventuais dificuldades, participamos de um modo ou de outro desta construção coletiva. Sabemos que é na nossa cidade que a vida acontece, tanto para as coisa positivas, como para aquelas que precisam serem transformadas e adequadas para que prevaleçam os valores humanos de justiça, de igualdade, de prosperidade e de sustentabilidade.

"Todavia, nenhum avanço e nenhuma mudança poderá ser dada por uma sociedade se não criarmos as condições concretas e objetivas para que as mudanças e os avanços ocorram. Isto significa que nada poderá mudar se não houver empenho, comprometimento, entendimento e trabalho de todos."

A isto chamamos de Luta.

Luta pela vida, pela justiça, pelos valores humanos, pelo futuro, pelo bem viver, enfim, por tudo que é necessário, através do aprimoramento diário de nossa cultura. Somos a todo momento desafiados a construir, organizar, adequar, cuidar e manter. Depende disso nossa liberdade e nossa humanidade.

Como um otimista, sei que nem todos podem ser, sabemos que a cada dia temos avançado em todas as áreas do conhecimento, da construção política, da organização da produção, na valorização da arte e da cultura em geral.

Porém, é necessário enfrentar forças retrógadas e reacionárias que teimam em manter um estado de coisas que só faz atrapalhar a cidade a crescer. Estas forças estão presentes de modo disperso em todos os setores da sociedade, contudo, é na luta política que torna-se possível, com eficiência, enfrentá-las.

Mas nem sempre é fácil perceber a ação destas forças. Elas são covardes e obscuras. Trabalham sorrateiras e não possuem coragem de se manifestarem.

Neste sentido quero relembrar aqui, um alerta que me pareceu ser importante dar, sobre o mau uso do dinheiro público ocorrido na cidade de Suzano-SP, por parte da Câmara Municipal. Durante as duas legislaturas que pude acompanhar e ver de perto seu desempenho, constatei que a grande maioria dos vereadores e principalmente a mesa diretora foram extremamente negligentes, imperitos e imprudentes na condução de suas atribuições.

Mas como disse, não é fácil demostrar como estas forças agem. Mas como diz o velho ditado: "o tempo é o senhor das coisas".

Rosenil


17 de fev de 2013

Tomara que os Ratos estejam apenas na dispensa..!

Saiu na mídia local que o galpão que armazena a merenda escolar da prefeitura de Suzano-SP foi atacado por ratos. É lamentável que isto tenha acontecido. Em um Pais que tem como meta acabar com a miséria, não se pode nunca deixar que alimentos sejam estragados e deteriorados.

Mas aprendi que acabar com ratos nunca é uma tarefa fácil. Medidas preventivas, corretivas e de manutenção devem sempre estar sendo colocadas em prática para que os roedores "urbanos" deixem de frequentar o ambiente humano.

Porém me chamou a atenção o tom político que foi dado à questão pelo pessoal do "Complexo do Alemão". Afinal depois de quarenta e cinco dias do atual governo, em vez de acabarem com os ratos, resolveram trazer para o campo do debate político a questão.

Neste sentido vale lembrar que a vida média da ratazana é de 2 anos, do rato de telhado 1 ano e meio e o camundongo vive cerca de 1 ano. A partir do 3º mês de vida já podem procriar, sendo que o tempo de gestação é, em média, de 19 a 22 dias e o número de filhotes por cria é de 5 a 12, na dependência da oferta de alimento e abrigo.


Não foi divulgado o tempo de vida dos ratos encontrados no galpão. Não é possível saber a idade exata deles. Contudo, pelo ciclo de vida destes mamíferos roedores, é possível prever que já estão na segunda geração, se considerarmos o período de primeiro de janeiro até a data da descoberta dos membros  pertencentes à Família Muridae. Neste caso seria bom que a atual gestão continue o trabalho de acabar com os ratos e nunca descance da árdua tarefa de recuperar nosso sistema de educação que durante mais de trinta anos sofreu a depredação do pessoal do "Complexo do Alemão".

É bom lembrar que até janeiro de 2005 mais da metade dos professores da rede municipal trabalhavam na base de contratos emergenciais com o poder público. Não havia plano de carreira, nem de cargos, nem de salários. A periferia da cidade contava com escolas de madeira e os alunos não tinham direito ao uniforme e nem ao material escolar.

Com muito esforço, vinha sendo implantada na rede um modelo de gestão e de condução da política de educação que privilegiasse a formação continua de professores, o aperfeiçoamento do processo de gestão democrática e a integração comunidade escola. Vale lembrar que hoje, os coordenadores de escola (antigos diretores) são eleitos por voto direto da comunidade escolar na qual a unidade está inserida. Este avanço coloca a rede de ensino municipal em um novo patamar de relações e de capacidade de enfrentar os históricos problemas da política pública de educação.

Pertenci e fiz parte da equipe de governo que coordenou a cidade por oito anos. Vi em loco o esforço dos gestores e do prefeito em estabelecer para o conjunto da cidade um novo modelo democrático, popular e participativo para garantir uma cidade para todos.

Temos dados, informações e experiências, sobre avanços que a cidade teve em todas as áreas no período de nosso governo. Estamos prontos para continuar nosso trabalho político e de organização social, agora fora da máquina pública municipal. Torcemos para que o atual governo possa fazer um bom trabalho e que avance cada vez mais nas conquistas que a cidade precisa.

Todavia, sabemos que muito tem ainda que ser feito. Por conta disto vai um conselho. Nunca deixem de matar ratos. Eles nascem dentro de casa, dentro dos galpões, e, o "Complexo do Alemão" está cheio deles.

Rosenil Barros Orfão.
RG 14 329 574
cpf 055 580 418 62

1 de jan de 2013

Um Feliz Ano Novo

Que cada esperança se renove com uma força  e uma energia ainda maiores. Nunca iríamos mesmo parar de sonhar e de lutar, mas com o ano novo, ganhamos, como que por mágica, uma nova dose de convicção e de fé.

Uma fé na vida e na humanidade que precisa se encontrar e determinar, sempre novos, caminhos e conquistas, rumo ao infinito a partir de um limite individual, mas que em cada um de nós, permite-nos sermos, ousadamente, mais humanos.

Uma força que nos lança ao transcendente de sentimentos, pensamentos e ações que, mesmo por teimosia, nos coloca em movimento. Sentir e perceber mais forte isto, gera e impõem, profundamente, nossa natureza singular de ousar lutar e ousar vencer.

Como que uma mágica refletida em nossos músculos, que se retesam na dor suportando a dureza de uma necessária transformação que nunca paramos de buscar.

Salve mais uma etapa de esperança. Salve 2013. Salve você.

Rosenil.


22 de dez de 2012

Um feliz natal: trabalhador!


Um natal de sonhos e poesia no tempo da vida.
Só faz sentido no espaço e existir de coisas e entes.
Chegamos até aqui, parece que vamos mais além.
Esta é a grande provocação do natal.

É um renascer, possível, imaginável e experimentável.
Sua magia está na sintonia de energias e pensamentos,
De trabalhadores e trabalhadores que ousam teimar,
A cada ano viver mais um natal: o extraordinário renascer.

Em tempos de exigentes mudanças,
Que se fazem quase que por conta,
Somos chamados a retomar o sentido
daquilo que realmente importa.

Um tempo que não mais suporta,
ser tratado como ovo de tolo ou porta,
O natal abre nova passagem para ir
E nisto perceber que.....

O trabalhador é a pessoa, dotada de significado histórico e envolvida a cada minuto na busca pelo bem viver.

Possui autonomia enquanto indivíduo mas, sua dimensão histórica, expressa-se no coletivo da comunidade e amplia-se a cada momento, que desenvolve suas potencialidades técnicas e científicas.

Nossa humanidade somente aprofunda-se rumo à plenitude, em um “movimento e caminhar”, se usarmos nosso saber e técnica a serviço do conjunto da comunidade.

Nosso saber e experiência acumulada nos permite determinar que este “movimento e caminhar” só é possível alcançar coletiva e historicamente, através do desenvolvimeto do ambiente em que vivemos e do fortalecimento de nossas relações.

Para garantir o desenvolvimento, aprendemos que, este deve ser sustentável.

Para fortalecer nossas relações, percebemos que, esta, deve ser solidária.

Nosso “fazer trabalhador” é sempre econômico. Isto é da natureza do trabalho. Nosso existir é sempre solidário. Isto é da natureza do humano. Por quanto, um verdadeiro Natal e renascer, só existe no âmbito de uma economia solidária.

Está por vir.... sairemos do outro lado... há quem diga que já está entre vós... o que você acha?
Rosenil

12 de dez de 2012

Última sessão: câmara de Suzano não deixará saudades!

Hoje 12/12/2012, ocorrerá a última sessão desta legislatura da Câmara Municipal de Suzano. Ainda bem que acabou, e acabou tarde. A cidade de 269 mil habitantes e 207 km2, com um alto índice de pobreza, pois 35% de suas famílias percebem uma renda familiar de até dois salários mínimos, trata-se de uma cidade que possui um alto grau de concentração de renda.

Mudanças estruturais importantes são necessárias para garantir que a cidade possa superar seus gargalos e suas desigualdades. O transporte público, a infra-estrutura, as políticas de saúde, a educação, a regularização fundiária e a participação política são temas que devem continuar sendo prioridade, na pauta dos governantes e a população organizada. Caso contrário, não avançaremos, como é necessário, para garantir uma cidade mais justa e acolhedora e mais igual.

Ao  fazer uma análise minuciosa sobre estes seis pontos estruturantes, é possível verificar que, aqueles que dependiam, e exigiam um maior envolvimento do legislativo, foram os que avançaram com maior dificuldades neste período. Chamo atenção para a questão do transporte e para a infra-estrutura, com a não aprovação e aperfeiçoamento dos Planos Diretor e de Transportes.

Quando comparamos os recursos gastos pelo legislativo, e olhamos a produção legislativa que se espera, observamos que nestes oito anos não houve um projeto sequer, por iniciativa dos vereadores, que tenha trazido algum benefício para a população. A única exceção foi o projeto que proibiu a "pichação" de muros em épocas eleitorais, feito por um vereador do PRTB, que podemos afirmar,  tenha trazido algum benefício.

Analisando os orçamentos anuais gastos, de modo legalmente correto, mas polticamente impróprio, pelo legislativo suzanensse, chegamos aos seguintes valores:



Isto significa que na média dos oito anos foram R$ 14.869.443,87 (quatorze milhões, oitocentos e sessenta e nove mil, quatrocentos e quarenta e três reais e oitenta e sete centavos) gasto pelo legislativo municipal. Aí pergunto: alguém se lembra de algum projeto de algum vereador que venha a justificar este gasto.

Contudo, acho justo observar que não é somente de projetos de lei que se formam as funções de uma casa legislativa. Existe o processo de fiscalização de poder executivo e da própria câmara que devem ser feito pelos vereadores. Porém a história recente deixa demonstrado que os recursos do povo foram arbitrariamente utilizados de modo a não dar nenhum retorno para o conjunto da cidade.

Mas, infelizmente, além de não dar nenhum retorno, os vereadores atrapalharam a cidade crescer, quando permitiram, que a estrutura do legislativo fosse, utilizada somente para fazer disputa política de baixa qualidade na cidade.

Por conta disto fica aqui registrado as 12h12, deste dia 12/12, esta análise, para continuarmos o debate sobre a necessidade de termos um legislativo comprometido com o futuro do município e que venha a ser reorganizado como espaço de construção da cidadania e desenvolvimento de nossa democracia.

Aos novos vereadores, que assumem a partir do próximo ano, desejamos muita sorte e força, para desenvolverem seu trabalho. Torcemos para que passem longe dos exemplos deixados pela Câmara Municipal nestes últimos oito anos.

Saudação a todos.

Rosenil Barros Orfão.




11 de dez de 2012

Dom Pedro Casaldáliga é evacuado de sua casa em São Félix (MT) devido a ameaças de morte


O bispo teve que pegar um avião escoltado pela polícia e atualmente se encontra na casa de um amigo que teve sua identidade e localização ocultas por razões de segurança

Amazônia

foto
O bispo Pedro Casaldáliga, 84, foi forçado a deixar sua casa em São Félix do Araguaia (MT) e ir a mais de mil quilômetros de distância por indicação da Polícia Federal. A causa foi a intensificação nos últimos dias das ameaças de morte que ele recebeu devido ao seu trabalho durante mais de 40 anos em defesa dos direitos dos índios Xavante.

A produtora Minoria Absoluta, que trabalha em uma minissérie sobre o religioso, foi uma das denunciantes. O fato do governo federal decidir tomar as terras dos fazendeiros para devolver aos índios, legítimos proprietários, agravou o conflito.

A produtora assinalou que a equipe de filmagem teve que modificar o seu plano de trabalho. Concretamente e por recomendação do governo brasileiro, a equipe teve que atravessar a floresta e fazer uma rota de 48 horas de duração para evitar a zona de conflito.

Casaldáliga se tornou o objetivo dos chamados “invasores” que fraudulentamente se apropriaram das terras em Marâiwatsédé dos Xavantes. O bispo, que sofre de Parkinson, trabalha há anos em favor dos indígenas e dos seus direitos fundamentais na Prelazia de São Félix e se tornou, em nível internacional, no rosto visível da causa.

Os proprietários de terra e os colonos que ocuparam fraudulentamente e com violências as terras serão despejados em breve pela ordem ministerial que, há 20 anos, espera pelo seu cumprimento.

Conforme informou em um texto a Associação Araguaia com Casaldáliga, o bispo teve que pegar um avião escoltado pela polícia e atualmente se encontra na casa de um amigo que teve sua identidade e localização ocultas por razões de segurança.

“Sentimo-nos plenamente identificados com a defesa que desde sempre o bispo Pedro e a Prelazia de São Félix sempre fizeram da causa indígena”, diz o comunicado da associação, que exige que a comunidade internacional vele pela segurança de Casaldáliga e pelos direitos dos índios Xavante.

Através do Twitter também circulou o comunicado de apoio do Conselho Indigenista Missionário – órgão vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil –, assinado por associações e entidades ligadas à luta indígena e aos direitos humanos.

24 de nov de 2012

E agora Joaquim? A encruzilhada de um juiz


Joaquim Barbosa assumiu a presidência de uma Suprema Corte manchada pela nódoa de um julgamento político conduzido contra lideranças importantes da esquerda brasileira.

Monocraticamente, como avocou e demonstrou inúmeras vezes, mas sempre com o apoio indutor da mídia conservadora, e de seu jogral togado --à exceção corajosa do ministro Ricardo Lewandowski, Barbosa fez o trabalho como e quando mais desfrutável ele se apresentava aos interesses historicamente retrógrados da sociedade brasileira --os mesmos cuja tradição egressa da casa-grande deixaram cicatrizes fundas no meio de origem do primeiro ministro negro do Supremo.

Não será a primeira vez que diferenças históricas se dissolvem no liquidificador da vida.

Eficiente no uso do relho, Barbosa posicionou o calendário dos julgamentos para os holofotes da boca de urna no pleito municipal de 2012.

Fez pas de deux de gosto duvidoso com a protuberância ideológica indisfarçável do procurador geral, Roberto Gurgel -aquele cuja isenção exortou o eleitorado a punir nas urnas o partido dos réus.

Num ambiente de aplauso cego e sôfrego, valia tudo: bastava estalar o chicote contra o PT, cutucar Lula com o cabo e humilhar a esquerda esfregando-lhe o relho irrecorrível no rosto. Pronto. Era correr para o abraço dos jornais do dia seguinte ou antes até, na mesma noite, no telejornal de conhecidas tradições democráticas.

Provas foram elididas; conceitos estuprados ao abrigo tolerante dos doutos rábulas das redações --o famoso 'domínio do fato'; circunstâncias atropeladas; personagens egressos do governo FHC, acobertados em processos paralelos, mantidos sob sigilo inquebrantável, por determinação monocrática de Barbosa (leia:'Policarpo & Gurgel: ruídos na sinfonia dos contentes'); tudo para preservar a coerência formal do enredo, há sete anos preconcebido.

O anabolizante midiático teve que ser usado e abusado na sustentação da audiência de uma superprodução de final sabido, avessa à presunção da inocência e hostil à razão argumentativa --como experimentou na pele, inúmeras vezes, o juiz revisor.

Consumada a meta, o conservadorismo e seu monocrático camafeu de toga, ora espetado no supremo cargo da Suprema Corte, deparam-se com a vertiginosa perspectiva de uma encruzilhada histórica.

Ela pode esfarelar a pose justiceira dos torquemadas das redações e macular a toga suprema com a nódoa do cinismo autodepreciativo.

Arriadas as bandeiras da festa condenatória, esgotadas as genuflexões da posse solene desta 5ª feira, o espelho da história perguntará nesta noite e a cada manhã ao juiz da suprema instância: -- E agora Joaquim?

O mesmo relho, o mesmo 'domínio do fato', o mesmo atropelo da inocência presumida, a mesma pressa condenatória orientarão o julgamento da Ação Penal 536 --vulgo 'mensalão mineiro'?

Coube a Genoíno, já condenado --e também ao presidente nacional do PT, Rui Falcão-- fixar aquela que deve ser a posição de princípio da opinião democrática e progressista diante da encruzilhada de Barbosa: 'Não quero para os tucanos o julgamento injusto imposto ao PT', fixou sem hesitação o ex-guerrilheiro do Araguaia, no que é subscrito por Carta Maior.

Mas a Joaquim fica difícil abrigar o mesmo valor sob a mais suprema das togas. Sua disjuntiva é outra.

Se dispensar ao chamado mensalão do PSDB o mesmo tratamento sem pejo imposto ao PT na Ação 470, sentirá o relho que empunhou voltar-se contra a própria reputação nas manchetes do dia seguinte.

Tampouco terá o eco obsequioso de seus pares na repetição da façanha --e dificilmente a afinação digna dos castrati no endosso sibilino do procurador -geral.

Ao revés, no entanto, se optar pela indulgência desavergonhada na condução da Ação Penal 536, ficará nu com a sua toga suprema durante longos dois anos, sob a derrisão da sociedade, o escárnio do judiciário, o desprezo da história --e o olhar devastador do espelho a cada noite e a cada dia, a martelar: 'E agora, Joaquim?'

22 de nov de 2012

Ponto de vista: ... ainda a falta de justiça.

pontos de vista (desenho de Rosenil Barros Orfão)
Tudo que falo aqui, em juizo negarei. Só vale para o meu juízo.Também, de outro jeito não tem como. Mesmo que seja por vontade, racionalidade ou sentimento. O que manda é o meu juízo. Bobagem querer me enganar. Até porque, isto eu não admito. E a experiência mostra, desnuda e desanuvia: só faço, digo e penso a meu juízo.

Mas sei que meu juízo não é tão meu. Ele foi formado por gente que nem conheço, e outros que nunca vou saber se existiram. Afinal, entre seis bilhões de seres humanos na terra, mais de dez mil anos de experiência humana em reciprocidade animal, mineral e vegetal, querer que a insignificância do meu "juizinho" tenha autonomia, é querer brincar com a humildade ou achar que domina a presunção.
Mas por cargas d`água que, pela experiência, vontade ou intuição, acho que não entendo todas, o meu "juizinho" foi capaz de aprender um cem número de coisas que, não poucas vezes, me coloca em surpresa e admiração.
Avalio que a água, o ar e a vitalidade das coisas e de seres, é importante para a humanidade. Além de importante, por força da cultura, torna-se extremamente útil. Por ser útil, o sistema econômico, político e religioso ao qual meu "juizinho" foi formado, acha que é "bom".
Cada dia uma surpresa: o ar que respiramos, a água que bebemos, os animais, minerais e plantas que comemos, aliados ao modo de comprar, de fabricar, de vender, de fazer, de armazenar, de conhecer o sabor, de conhecer a tonalidade, de conhecer a textura, de saborear a quentura, de apreciar o geladinho(a), torna cada dia da vida uma aventura, um desafio e por vezes, uma realização de humanidade.
Ai, ai, ai, quanta coisa. E meu "juizinho" fica doido. Muitas coisas ele não entende. Também ele tem mania de querer entender tudo. Mas ainda bem que não dependo só dele. Vivo em minha comunidade. Uma grande comunidade. Nela tenho minhas referências, enxergo meu rumo. Ganho de graça algo que chamo de senso. Senso de bom, que vem carregado de amor, respeito, alegria, compreensão, entendimento. Capaz de enfrentar a dor, o medo, a incerteza e mandar para longe a melancolia, a angustia e o desespero, que vez ou outra teimam em hegemonizar.
Mas se for em juízo, nego tudo isto. Porque minha comunidade não tem instrumento de fazer justiça. Na verdade nunca vai ter. É impossível. 
A justiça, diferente da música, da política, da arte, da religião, das coisas da economia e da cultura, não é possível ser instrumentalizada. Não é possível construir um aparelho de justiça. Esta nunca será aparelhada. 
A justiça está nas coisas, nas relações e na finalidade de ambas. É como o ar, como o amor. Se ensacar, vai faltar. Produzir não dá. simplesmente, para existir, tem que estar. Tem que ser presente.
Tem gente que pensa poder operar instrumentos que fazem justiça. Ledo engano. 
As parafernálias burocráticas da cultura, que se colocam, as vezes como ciência, as vezes como poderes, as vezes como sistema e se dizem promotores da justiça são um encargo social que devemos pagar para atenuar uma consciência social que ainda está longe de viver a cada minuto e a cada relação, a verdadeira justiça.
Acabam todos estes, tendo um fim em si mesmos. Deixam a justiça em segundo plano, pois estes aparelhos apartados do lugar, da experiência do cotidiano, envolto em palácios e tribunais, papeladas e palavrórios nunca vão sentir nossa humanidade e o caminho para consolidá-la.
Por isso, a meu juízo sou Zé Dirceu. Este último afirmo em juizo.
Rosenil Barros Orfão

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