2026 e a reconstrução da coesão democrática: presença, liderança e território


Houve um tempo recente, especialmente no Brasil das décadas de 1970, 1980 e início dos anos 1990, em que a base social de esquerda, democrática e progressista parecia caminhar com uma coesão histórica muito particular. Não se tratava apenas de alinhamento partidário, nem somente de oposição ao regime autoritário. Havia algo mais profundo em movimento: uma convergência entre o desejo de liberdade, a luta por igualdade, a construção de direitos e a presença concreta das pessoas em organizações populares, novas e enraizadas nos territórios. O Estado, o direito, as ciências humanas, a utopia crítica, as pastorais, os sindicatos, os movimentos de moradia, as associações de bairro, as comunidades eclesiais de base, os grupos culturais e os novos partidos populares se encontravam em uma mesma atmosfera de reconstrução democrática.

Naquele período, antes e durante o processo constituinte que levou à Constituição de 1988, a política não era apenas uma disputa distante entre elites. Ela passava pela vida cotidiana, pela assembleia, pela reunião de bairro, pela missa comprometida com os pobres, pela greve, pela universidade, pelo mutirão, pela alfabetização popular, pela organização das mulheres, dos trabalhadores, da juventude e dos setores historicamente silenciados. Era como se a sociedade brasileira, ferida pela ditadura e pelas desigualdades profundas de sua formação histórica, encontrasse naquele momento uma fresta para respirar. A luta por voto direto, liberdade de associação, direitos sociais, políticas públicas, participação popular e reconhecimento da dignidade humana produziu uma energia coletiva de grande potência. As pessoas não apenas reivindicavam direitos; elas se descobriam como sujeitos.

A democracia, naquele contexto, não era somente uma forma institucional de governo. Era também uma pedagogia social, uma escola viva de protagonismo, consciência e esperança. O povo aprendia política fazendo política. Aprendia democracia ocupando espaços, disputando orçamento, reivindicando escola, construindo sindicato, participando de comunidade, organizando associação, debatendo o país, exigindo liberdade e igualdade. A palavra pública ainda carregava uma promessa: a de que a vida comum poderia ser transformada pela ação coletiva.

Mas essa conquista, embora profunda, não foi suficiente para vencer as principais assimetrias estruturais do país. A Constituição de 1988 abriu caminhos, mas não desmontou completamente as engrenagens que sustentavam a desigualdade, a concentração de renda, o racismo estrutural, o poder privado sobre o Estado, a violência contra os pobres, a fragilidade da educação pública, a dependência econômica, o domínio midiático, a exclusão territorial e a destruição ambiental. A cidadania avançou no papel, em políticas e em instituições, mas nem sempre se enraizou como autonomia concreta na vida das pessoas.

Com o passar dos anos, aquilo que parecia uma estrada ascendente de transformação social começou a revelar suas contradições. A redemocratização havia criado espaços novos, mas muitos desses espaços foram sendo absorvidos, burocratizados ou esvaziados. A política institucional cresceu, mas nem sempre permaneceu ligada à vida popular. Os partidos progressistas passaram a ocupar governos, parlamentos e estruturas administrativas, mas parte da presença cotidiana nos territórios foi se enfraquecendo. Muitos movimentos sociais conquistaram reconhecimento, mas enfrentaram novas dificuldades diante da precarização do trabalho, da fragmentação urbana, da violência, do individualismo competitivo, do avanço de novas formas de dominação simbólica e das mudanças profundas na comunicação.

O que antes era coesão começou a se dispersar. O que antes era organização coletiva passou, em muitos lugares, a ser substituído por trajetórias individuais de sobrevivência. O que antes era leitura crítica da sociedade deu lugar, pouco a pouco, a formas mais difusas de ressentimento, medo, desconfiança e acusação. A crítica deixou de mirar prioritariamente as estruturas sociais e passou a ser muitas vezes direcionada contra pessoas, grupos e setores demonizados. A pergunta “quais forças produzem a desigualdade?” foi sendo trocada por “quem é o inimigo a ser eliminado?”. Essa mudança não é pequena. Ela revela uma crise profunda na própria maneira como a sociedade passou a interpretar seu sofrimento.

A democracia formal, por si só, não garantiu o apreço permanente à democracia. O voto direto, o direito de associação, a liberdade de expressão, as políticas públicas e o amadurecimento institucional foram conquistas fundamentais, mas não bastaram para produzir uma cultura democrática sólida, crítica e duradoura. Talvez se tenha acreditado demais que as instituições educariam automaticamente a sociedade. Mas instituições sem presença cotidiana viram abstração. Direitos sem experiência concreta viram promessa distante. Políticas públicas sem organização popular podem melhorar a vida, mas nem sempre produzem consciência coletiva. A democracia, para ser defendida, precisa ser vivida. Precisa estar no bairro, na escola, no posto de saúde, na praça, na igreja, no sindicato, na associação, no orçamento, na cultura, no trabalho e na palavra compartilhada.

Nesse mesmo processo, a teologia da libertação, que durante décadas ajudou a formar uma consciência popular de justiça, solidariedade e compromisso com os pobres, foi perdendo espaço para expressões religiosas mais marcadas pela teologia do domínio, da prosperidade e da vitória individual. A fé, que em muitos lugares havia sido caminho de organização comunitária e libertação, passou a ser muitas vezes convocada como instrumento de adaptação ao sofrimento, promessa de sucesso pessoal ou arma moral contra inimigos fabricados. Isso não significa tratar o povo religioso como problema. Pelo contrário. Significa reconhecer que a fé continua sendo uma das grandes forças de organização simbólica da vida popular. A questão decisiva é saber se essa fé será mobilizada para a solidariedade, o cuidado e a justiça, ou para o medo, a submissão e a guerra moral.

Ao mesmo tempo, a ciência passou a ser negada em temas essenciais. A crítica racional foi enfraquecida por ondas de desinformação, teorias conspiratórias e rejeição sistemática aos saberes construídos coletivamente. A crise deixou de ser apenas política e passou a ser também epistemológica. Já não se disputa apenas qual projeto de sociedade é melhor. Disputa-se, antes disso, a própria possibilidade de reconhecer fatos, confiar em métodos, dialogar com argumentos e construir algum chão comum de verdade. Quando a sociedade perde esse chão, a política se transforma em guerra de percepções, e a palavra pública deixa de organizar a vida comum para incendiar o medo.

Esse retrocesso civilizatório ocupou o lugar que antes era preenchido por utopias críticas, projetos de justiça social e pedagogias populares de emancipação. A esperança coletiva foi atacada por todos os lados: pela precarização econômica, pelo endividamento, pela violência urbana, pela captura privada do Estado, pela mercantilização da vida, pela destruição ambiental, pela comunicação manipulada e pela solidão social. Os partidos progressistas, os movimentos populares e as igrejas comprometidas com a libertação viram parte de suas bases se dispersar. Não porque o povo tenha deixado de sofrer as injustiças estruturais, mas porque muitas das linguagens, formas de organização e mediações coletivas que antes davam sentido a esse sofrimento foram perdendo força.

No entanto, nenhuma sociedade vive apenas de decadência. Mesmo nos períodos de regressão, existem forças intrínsecas de preservação, reinvenção e evolução. Há sempre, nas brechas da vida comum, uma reserva de humanidade que resiste. Ela aparece na mãe que organiza a vizinhança, no professor que insiste, na liderança comunitária que acolhe, no agente público que não se corrompe, no trabalhador que compartilha saber, na juventude que busca sentido, na cultura que cria pertencimento, na fé que consola e mobiliza, na ciência que cuida, na arte que revela o invisível, na política que ainda se lembra de sua vocação pública.

Por isso, a tarefa atual não pode ser simplesmente voltar aos anos 1980. A história não retorna como cópia. O mundo do trabalho mudou, a juventude mudou, as igrejas mudaram, os territórios mudaram, as tecnologias mudaram, a comunicação mudou, a subjetividade mudou. O desafio é outro: reconstruir, nas condições do século XXI, novas formas de coesão social, novas pedagogias democráticas e novas práticas de presença popular. É preciso retomar a escuta, a formação, a organização, a cultura, a solidariedade e a luta por direitos, mas sem nostalgia paralisante. O passado oferece inspiração, não molde pronto.

É nesse ponto que a eleição de 2026 ganha um significado especial. Ela não será uma eleição comum, nem poderá ser tratada apenas como mais uma disputa entre candidaturas. Ela se apresenta como uma eleição de contenção histórica, de defesa democrática e de possibilidade de recomposição nacional, estadual e territorial. Sua importância está justamente na tensão entre dois tempos: o tempo longo da reconstrução social e o tempo curto da decisão eleitoral. A reorganização das instituições progressistas, hoje enfraquecidas e desmobilizadas, leva muito mais tempo do que uma campanha. A reconstrução de sindicatos, movimentos populares, igrejas comprometidas com a justiça, partidos enraizados, associações territoriais, escolas de formação e pedagogias democráticas não se faz em poucos meses. Mas se as forças reacionárias, neoliberais radicalizadas e autoritárias vencerem ou saírem ainda mais fortes de 2026, o retrocesso poderá perdurar e comprometer gerações.

Por isso, a eleição de 2026 precisa ser compreendida como uma disputa sobre as condições históricas da reconstrução. Ela não resolverá sozinha a crise da democracia brasileira, mas poderá decidir se haverá chão institucional, político e simbólico para reconstruí-la. O erro seria imaginar que a vitória eleitoral substitui a construção social. Mas o erro inverso também seria grave: imaginar que a construção social pode prescindir das condições políticas criadas pelas eleições. Há momentos em que a luta institucional se torna uma trincheira necessária para preservar a possibilidade da luta social.

As forças reacionárias que precisam ser vencidas não representam apenas uma opinião conservadora comum. Elas expressam projetos concretos de aprofundamento das assimetrias, de apropriação privada do Estado e do território, de destruição ambiental, de precarização da vida e de corrosão das políticas públicas. São forças que tratam o Estado como instrumento de acumulação, os rios como obstáculos, as várzeas como mercadoria, a educação como custo, a saúde pública como mercado, a natureza como estoque a ser explorado e o povo como massa a ser conduzida pelo medo. Quando essas forças se fortalecem, não há apenas alternância administrativa. Há regressão civilizatória.

A defesa da democracia, portanto, não pode ser apenas uma defesa institucional abstrata. Ela precisa voltar a ser experiência vivida. Precisa habitar a prática cotidiana da dignidade. Precisa ser sentida no alimento, na moradia, na escola, no transporte, na saúde, na segurança, no trabalho, na cultura, na proteção ambiental e no direito de cada pessoa existir com liberdade e respeito. Se a democracia não chegar à mesa, ao corpo, ao território, ao rio, à praça, ao posto de saúde, à escola e ao trabalho, ela permanece como palavra nobre, mas distante. E palavras distantes não sustentam sociedades em tempos de medo.

No plano nacional, essa tarefa dependerá em grande medida da liderança e do significado histórico da figura do presidente Lula. Sua presença política carrega uma dimensão que ultrapassa a disputa partidária imediata. Para amplos setores populares, Lula representa uma memória concreta de ascensão social, valorização do trabalho, presença do Estado, reconhecimento dos pobres, ampliação de políticas públicas e disputa por soberania nacional. Sua liderança funciona como ponte entre a experiência vivida pelo povo e a possibilidade de um projeto democrático de país. Não se trata apenas de uma liderança formal, mas de uma liderança simbólica, histórica e afetiva, capaz de convocar memórias, organizar expectativas e produzir sentido em um tempo de dispersão.

No estado de São Paulo, a disputa assume outra centralidade. Derrotar o poder neoliberal encastelado no Palácio dos Bandeirantes significa disputar o maior estado do país não apenas como máquina administrativa, mas como modelo de sociedade. São Paulo não é apenas uma unidade federativa. É território econômico, midiático, logístico, cultural e político de enorme capacidade de irradiação. A pergunta que se coloca é se o Estado será tratado como instrumento de planejamento público, desenvolvimento sustentável, educação, saúde, ciência, cultura e proteção social, ou se continuará sendo operado como plataforma de privatização, ajuste, segurança punitiva, captura empresarial e gestão fria da desigualdade. A eleição paulista, nesse sentido, também será uma disputa sobre o significado do próprio Estado.

Em Suzano, esse debate ganha uma dimensão territorial concreta. A política nacional e estadual precisa encontrar corpo na cidade, no bairro, na memória local, nas lideranças reconhecidas, nas experiências vividas e nas expectativas da população. É nesse campo que a presença política de Marcelo Cândido pode assumir papel estratégico. Trabalhar com o conceito de liderança natural e com seu poder simbólico não significa apenas recorrer a uma figura conhecida. Significa compreender que determinadas lideranças, quando enraizadas no território, acumulam uma autoridade que nasce da história, da presença, da memória coletiva, das obras realizadas, dos conflitos enfrentados, dos vínculos construídos e da confiança sedimentada ao longo do tempo.

A liderança natural não é apenas quem ocupa cargo, aparece em fotografia ou fala em nome de um grupo. É quem carrega uma travessia reconhecida pelo povo. É quem, mesmo fora do exercício direto do governo, continua sendo lembrado como referência de um tempo, de um projeto e de uma possibilidade. Em Suzano, Marcelo Cândido pode funcionar como ponte simbólica entre o passado democrático da cidade, as ameaças do presente e a construção de um novo ciclo político. Sua presença pode ajudar a dar sentido às candidaturas populares para a Assembleia Legislativa e para o Congresso Federal, não como substituição da identidade própria dessas lideranças, mas como força de convergência, legitimação e coesão mínima da base social.

Essa coesão mínima talvez seja a chave da eleição de 2026. Não se trata de imaginar uma unidade perfeita entre partidos, movimentos, lideranças, igrejas, sindicatos, juventudes, coletivos e territórios. Essa unidade plena não existe e talvez nem seja desejável como forma rígida. O que se precisa construir é uma convergência suficiente em torno de prioridades históricas: defesa do Estado Democrático de Direito, proteção das políticas públicas, justiça social, soberania nacional, preservação ambiental, valorização do trabalho, enfrentamento às desigualdades e reconstrução da esperança popular. A coesão mínima é a capacidade de caminhar juntos no essencial, mesmo preservando diferenças, ritmos, linguagens e trajetórias.

Para isso, a liderança natural deve ser compreendida como método político e não como culto pessoal. Seu papel é transformar dispersão em reconhecimento, reconhecimento em confiança e confiança em ação coletiva. Quando uma liderança carrega poder simbólico real, ela pode ajudar a organizar o campo popular em torno de uma narrativa comum. Pode dizer, com sua própria presença, que a política já produziu conquistas, que o Estado pode servir ao povo, que a cidade pode ser governada de outro modo, que a memória democrática não morreu e que o futuro ainda pode ser disputado.

Mas essa liderança só cumprirá seu papel se estiver a serviço de uma prática coletiva. O poder simbólico não pode substituir o trabalho de base; deve fortalecê-lo. Não pode apagar novas lideranças; deve projetá-las. Não pode congelar o passado; deve traduzi-lo para o presente. Não pode transformar a campanha em nostalgia; deve fazer da memória uma ferramenta de futuro. A liderança natural, nesse sentido, é uma ponte. E toda ponte existe para permitir passagem.

A eleição de 2026 exigirá, portanto, uma estratégia em três dimensões. No plano nacional, será preciso defender a democracia, a soberania e o Estado como instrumento de redução das desigualdades, tendo na liderança de Lula uma referência de recomposição histórica. No plano estadual, será necessário enfrentar o projeto neoliberal que transforma São Paulo em laboratório de privatização e enfraquecimento do público, afirmando outra concepção de desenvolvimento, cuidado e direitos. No plano territorial, especialmente em Suzano, será preciso ativar memórias democráticas, lideranças naturais, vínculos comunitários e candidaturas populares capazes de representar a cidade na Assembleia Legislativa e no Congresso Federal.

Essa estratégia não pode se limitar à propaganda eleitoral. A campanha precisa ser também pedagogia. Precisa falar de democracia a partir do arroz, do feijão, do ônibus, da creche, da UBS, do hospital, da escola, da praça, do rio, da várzea, do emprego, da cultura, da juventude e da segurança. Precisa mostrar que o autoritarismo não ameaça apenas instituições distantes; ele ameaça o preço da comida, o direito ao cuidado, a permanência da escola pública, a proteção ambiental, o salário, a liberdade de organização, o respeito às diferenças e a própria possibilidade de futuro.

A reconstrução progressista precisa partir da vida concreta. Menos propaganda e mais presença. Menos palavra de ordem e mais escuta. Menos discurso abstrato e mais vínculo. Menos disputa moralista e mais leitura crítica da realidade. Menos centralidade exclusiva nas eleições e mais construção cotidiana de comunidade. Porém, em 2026, a eleição será o momento em que essa presença precisará se converter em força política organizada. Não para encerrar a luta, mas para abrir passagem. Não para substituir a sociedade, mas para protegê-la das forças que desejam capturá-la.

A crise contemporânea da esquerda, dos movimentos populares e das forças progressistas não pode ser compreendida apenas como perda eleitoral ou enfraquecimento partidário. Trata-se de uma crise mais profunda das formas de coesão social que sustentaram a redemocratização brasileira. Aquilo que juntava povo, fé libertadora, ciência crítica, direito democrático, Estado social, movimento popular e utopia histórica foi fragmentado. A tarefa agora é religar esses fios, não como repetição do passado, mas como invenção de um novo tempo.

A eleição de 2026 será uma das passagens decisivas dessa travessia. Ela não reconstruirá sozinha a democracia, mas poderá impedir que o retrocesso destrua as condições de sua reconstrução. Ela não reorganizará sozinha a base social progressista, mas poderá criar o ambiente necessário para que essa reorganização avance. Ela não substituirá o trabalho paciente de formação, escuta e presença territorial, mas poderá dar a esse trabalho uma direção histórica, uma proteção institucional e uma esperança concreta.

Talvez seja essa a formulação mais precisa: 2026 será uma eleição de defesa, recomposição e passagem. Defesa contra o retrocesso autoritário, predatório e neoliberal. Recomposição das forças democráticas, populares e progressistas. Passagem para um novo ciclo de presença social, pedagogia democrática e reconstrução do Estado como instrumento da vida comum.

Ainda assim, nada estará dado. Onde houver escuta, haverá começo. Onde houver encontro, haverá possibilidade. Onde houver memória crítica, haverá aprendizado. Onde houver organização, haverá força. Onde houver solidariedade, haverá futuro. A reconstrução da coesão social progressista não será obra de uma única eleição, de um único partido, de uma única liderança ou de um único movimento. Mas há eleições que decidem se a história poderá continuar sendo escrita pelo povo ou se será sequestrada por aqueles que transformam o Estado, a natureza e a vida em propriedade privada.

Em 2026, a tarefa será impedir esse sequestro e abrir caminho para uma nova esperança democrática. Não uma esperança ingênua, mas uma esperança organizada. Não uma esperança apenas discursiva, mas uma esperança territorial. Não uma esperança que espera, mas uma esperança que caminha, reúne, escuta, forma, disputa e constrói. Porque a democracia só permanece viva quando o povo a reconhece como sua própria casa. E uma casa democrática não se defende apenas com palavras: defende-se habitando-a, cuidando dela e chamando mais gente para reconstruí-la.


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