27 de mai de 2017

Comunhão: caminhos e descobertas!


Ao contrário do que se pensa, a luta por direitos é um ponto de chegada. É o momento de amadurecimento do sujeito. Não há como voltar ao estado de ingenuidade, ou para a etapa da infância, após um breve período no exercício pela luta por direitos. 

Ao frequentarmos as arenas de luta, ao trocar experiências de profundo viver, ao nos despirmos na frente do outro e deixarmos a nú nossas vontades, anseios, interesses, intencionalidades, medos, melancolias, certezas, gostos, tristezas, alegrias e sonhos damos um passo definitivo para sermos o que devemos ser. Chegamos ao ponto. Ao ponto de chegada. Perceber isto é a diferença entre o sujeito da comunhão e o objeto da coisificação.

16 de mai de 2017

Suzano-SP: a greve certa no lugar errado

Penso que o início da corrupção em uma democracia é a compra e venda de votos. Quando o voto se torna mercadoria e deixa de ser um elemento de decisão. Quando o sujeito abre mão de sua prerrogativa, de emitir através do voto sua decisão, ele deixa de ser sujeito e transforma-se no polo ativo de uma compra e venda infame, desonesta, corrupta, abominável e hedionda.


A gravidade desta compra e venda, neste mercado funesto e abominável, torna-se mais grave quando o sujeito detentor do voto é, por lei ou por tradição, representante de gente.


Chamamos gente a todos nós, trabalhadores e trabalhadoras que, em nossa democracia representativa, somos chamados a votar ou dar representação.


Todavia quando nossos representantes na entidade de classe vende sua decisão de liderança a quem interessa comprar.


Entrementes nossos parlamentares em qualquer nível, vende sua decisão e seu trabalho legal a quem interessa comprar, seja o poder econômico ou outro poder qualquer.


Quando um religioso abre mão da busca de sua verdadeira construção comunitária e vende seus ofícios, que deveriam ser sagrados, trocando-o pelo vil metal.


Sobremaneira nossos julgadores e operadores do direito vendem seu ofício, conhecimentos e domínio dos meandros dos arcabouços legais, abrindo mão dos valores e princípios que norteiam a verdadeira harmonia social, trocando seu ato de julgar pela vaidade, pelo partidarismo e pela pressão dos interesses corporativos.


Quando estas coisas acontecem devemos, todos, parar e recolocar as coisas em seu devido lugar.


Colocar, as coisas e as idéias, em seu devido lugar deve ser sempre uma ação coletiva, iluminada por uma grande reflexão, também coletiva. Caso contrário seria uma ato ditatorial e antidemocrático.


Um coletivo é sempre formado por um conjunto de gentes. E seu instrumento de reflexão, entre outros, deve ser o debate aberto e franco.


Por conta disto quero afirmar, em alto e bom som, que os servidores públicos de Suzano mais uma vez tem seus direitos básicos violentados por estes que deveriam ser o seu defensor. O sindicato da categoria que deveria representá-los não o faz. Não o faz por possuir uma direção pelega que a muitos anos trabalha somente em interesse próprio.


Quando permitiram que o governo municipal, em 2016, enviasse uma lei orçamentária para a câmara municipal sem a previsão e dotação de um rubrica que garantisse o aumento, ou pelo menos a reposição salarial dos servidores a direção sindical prevaricou.


Não bastasse esta prevaricação, a direção também vendeu-se  e corrompeu-se quando aceitou 10% de aumento vitalício para seus membros, além de um abono de R$ 2.000,00 reais em seu contracheque. Abandonando à época sua função de lutar pelo direito de todos os trabalhadores e trabalhadoras.


É importante deixar claro esta questão. Caso contrário as relações salariais junto ao funcionalismo nunca mudarão e sempre ficarão à mercê de conjunturas e políticas de governo que nem sempre terão o devido respeito ao direito dos trabalhadores. Não sendo este o caso, a nosso ver, da atual administração de Rodrigo Ashiuchi e Walmir Pinto.


Enquanto secretário de governo fui procurado por um conjunto de funcionário que denunciaram a criação de um ambiente de ameaças no interior do funcionalismo caso algum grupo quisesse formar chapas para disputar a eleição sindical. Este estado de coisas está sendo investigado, pois não podemos aceitar este tipo de situação nem compactuar com qualquer situação que coloque em risco o direito dos servidores de exercer sua representação sindical. Isto é válido não só para a direção sindical atual como para qualquer outra que venha a se formar. Os trabalhadores e trabalhadoras têm o direito de se organizarem em sindicato.


Por outro lado a direção sindical não pode enganar o trabalhador e a trabalhadora. Queremos aqui deixar claro nosso respeito ao direito de greve. Mas também queremos avaliar que uma greve deve ser desencadeada em situação de justiça e de acordo com a realidade do município para atender o necessário interesse dos trabalhadores e trabalhadoras.


Hoje temos um governo que se inicia e que vem dando demonstrações inequívocas de capacidade administrativa e zelo pelos princípios de um governo transparente, com inclusão social e participação social.


A pouco mais de quatro meses de trabalho os resultados são significativos, independente é lógico, sabemos que muito temos que melhorar. Mas estamos no início, e vamos continuar trabalhando para resolver todos os problemas que são pertinentes ao tempo de um governo como o nosso.


Desencadear uma greve agora pode não ser o melhor instrumento para construir as condições objetivas de garantia de direitos, não só para o funcionalismo, como também para toda a população.


Além do mais, os trabalhadores não podem se deixar fazer-se de massa de manobra de uma direção sindical que não luta no momento certo para garantir os interesses legítimos de nossa gente. Que prevarica, se vende e amarela na hora da luta.

Porque não discutiram a greve em 2016 quando o orçamento para este ano estava sendo montado? A resposta é simples: porque se venderam pelo 10% de aumento vitalício e pelos R$ 2000,00 reais de gratificação salarial doado aos dirigentes sindicais pelo governo Paulo Tokuzumi e colaboraram para um orçamento público ineficaz e sem participação social.

1 de mai de 2017

O sujeito da história


Hoje é dia do sujeito da história.
Dia do protagonista da vida.
Dia de cada um de nós: trabalhadores e trabalhadoras. 
Aquele que faz acontecer nossa cultura e nossa realidade humana.
O trabalho, objeto de nossa criação, de nossa arte, de nosso esforço.
O trabalho, objeto de nossos momentos, daquilo que construímos com nossas próprias mãos.
Salve todos nós, sujeitos do trabalho e de toda criação a partir dele.
Salve a vida.
Salve todas as gentes.

Dia do trabalhador e da trabalhadora. Dia do sujeito, não do objeto. 

Uma essencial diferença.
Um modo de ver com humanidade e profundidade nossa realidade e capacidades.

Quem produz, quem faz acontecer é o nosso esforço.

Salve toda a tecnologia que criamos.
Todas as máquinas que inventamos, e mantemos.
Salve as ferramentas, e os manuais.
Mas hoje é dia nosso.
Dia do trabalhador e trabalhadora.

Dia do trabalho deveria ser todo dia.
Só não é porque tem um monte de desempregados.
Àqueles que não tem direito.
Àqueles que estão sem o direito ao trabalho.
Deixo aqui minha solidariedade.
É cruel um sistema que abre mão de sua arte e de sua criação.
Concordamos com isso não.
Dói muito em nosso coração.

Mas penso sempre.
Isto tem que mudar.
Vamos dar um jeito.
Temos que enfrentar esta situação.
Tudo isto não é uma determinação.
Não pode ser definitivo.
A história quem faz somos nós.
Povo forte ... Povo trabalhador.
Vamos em frente.
Lá tem gente.
Aqui também!