12 de mar de 2012

Ainda as estratégias


por Wladimir Pomar
Quarta, 07 de Março de 2012

A presidenta Dilma fez declarações duras contra as políticas neoliberais dos governos europeus, tanto dos dominantes, quanto dos dominados, como a Grécia, acentuando que elas terão repercussões danosas em todo o mundo. Paradoxalmente, vários de seus ministros parecem continuar crentes de que as medidas que vêm adotando para enfrentar os desdobramentos da crise mundial sobre a economia brasileira serão suficientes.

Eles parecem satisfeitos com uma suposta aceleração na decisão de reduzir os juros básicos da economia e com as medidas de defesa cambial e defesa comercial, achando que por aí a indústria brasileira ganhará competitividade e poderá elevar a participação dos manufaturados e produtos de maior valor agregado no mercado internacional. O vice-presidente Temer declarou-se orgulhoso por haver exigido a abertura dos mercados chineses para os manufaturados brasileiros, colocando nessa pauta carnes de frango e suínos. Alguém deveria ter dito ao vice que esses produtos não são exatamente os manufaturados que deveríamos ter para exportar.

Em outras palavras, há setores do governo de coalizão que parecem ainda não haver entendido que o arrefecimento da economia brasileira diante da crise mundial indica que nosso ambiente macroeconômico não está tão sólido quanto se supõe. E que, além da necessidade de realmente acelerar rapidamente a queda dos juros básicos e tomar medidas administrativas para preservar o real diante da desvalorização artificial do dólar pelos Estados Unidos, é fundamental barrar a entrada de capitais especulativos. Ao mesmo tempo, deve-se estimular a entrada de investimentos diretos na indústria e na infra-estrutura, especialmente nos setores de alta tecnologia e naqueles que se acham oligopolizados pelas corporações transnacionais, de modo a estimular a concorrência e rebaixar os preços.

Os capitalistas brasileiros continuam preferindo aplicar os seus recursos no mercado financeiro, ao mesmo tempo em que dependem fortemente do BNDES para financiar os projetos em que estão envolvidos. Nessas condições, aqueles que se contentam com uma taxa de investimento em torno de 20% a 22% do PIB demonstram curvar-se a essa situação esdrúxula em que o Estado capta recursos a taxas estratosféricas e empresta para seus próprios credores a taxas subsidiadas. Sem inverter essa situação, o Brasil continuará sem condições de estimular os investimentos diretos e seu crescimento dificilmente ultrapassará o limite do vôo de galinha.

Nesse sentido, subordinar a redução dos efeitos da dominação dos bancos e das agências privadas, nacionais e internacionais, sobre a economia brasileira à solução do problema em escala mundial é paralisante. Pode ser um lenitivo para justificar a posição extremamente defensiva diante do sistema financeiro, mas jamais servirá para abrir brechas naquela dependência. E o que precisamos, antes de tudo, para abrir espaços para um desenvolvimento econômico e social mais sólido, é quebrar alguns dos grilhões que nos subordinam a esse sistema, ao mesmo tempo contribuindo efetivamente para uma solução global.

A constatação de que nosso país sofre uma extorsão permanente do seu trabalho e de seu desenvolvimento industrial e comercial, processada através da drenagem de riquezas através dos juros, serviços da dívida, e preços administrados praticados pelas multinacionais, deve nos alertar para as questões centrais com que nosso país se defronta neste momento. Por um lado, é verdade que essa drenagem fortalece o sistema especulativo global e que sua manutenção não o leva a aplicar medidas selvagens no sentido de desestabilizar a economia brasileira. Por outro, também é verdade que coloca cada vez mais o Brasil diante da necessidade de realizar uma escolha de Sofia e enfrentar com firmeza tal drenagem, se não quiser continuar submetido.

Se o governo Dilma e os partidos de esquerda que o apóiam continuarem mantendo sua postura defensiva diante dessas questões, a rigor tipicamente burguesas nacionais, dificilmente conseguirão mobilizar o povo brasileiro para a consecução de uma agenda política avançada. Sem um trabalho consistente e constante de esclarecimento dos problemas que entravam nosso desenvolvimento econômico e social, e sem medidas que apontem realmente para sua superação, com apelos explícitos de apoio popular e nacional, corre-se o risco de ver o governo e o Estado envolvidos numa série de conflitos e lutas de classes sem parâmetros claros quanto aos inimigos, como parecem indicar as mobilizações sociais recentes.

O fortalecimento democrático, financeiro, político e militar do Estado brasileiro depende, cada vez mais, da mudança da defensiva para a ofensiva política no tratamento das relações com o sistema financeiro. Dessa mudança depende o crescimento dos investimentos para uma taxa de 25% a 30% do PIB. Depende também a aceleração da industrialização da quarta revolução científica e tecnológica, combinada com a industrialização de gerações passadas para garantir altas taxas de emprego por longo tempo. Depende, ainda, a continuidade das políticas de combate às desigualdades sociais e regionais, de ampliação da participação democrática, de fortalecimento social dos trabalhadores e da colocação, na pauta política, de uma real perspectiva socialista.

Dificilmente a presidenta Dilma, em sua viagem à Europa, conseguirá modificar a política alemã dominante na União Européia, mesmo que consiga demonstrar os danos que tal política causará, não só aos países europeus mais fracos, mas a todo o mundo. Os povos europeus, depois de um grande período de letargia e de ilusões inocentes sobre seu padrão de vida, começam um novo despertar. Nossa cooperação a esse despertar talvez resida em não esperar que eles acordem totalmente, fazendo logo o que já deveríamos ter feito há algum tempo.



origem do texto: sitio de Wladimir Pomar
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7 de mar de 2012

“Ler será possuir uma cópia ilegal no cérebro”


[Informação e conhecimento são mercadorias. Internet desmascara a hipocrisia de seu livre acesso]
Quarta, 07 de março de 2012
Christopher Kelty, professor da Universidade da Califórnia.
Mariano Blejman, Página/12, 6/3/2012.

A história da Library.nu e do recente encerramento do sítio que possuía milhares de livros “on-line”, no dia 15 de fevereiro, poderia muito bem ser um romance. Certamente haverá algum sítio que o substitua. Desta vez, a coalizão das editoras ganhou a competição na onda de encerramentos dos sítios de compartilhamento de arquivos, já sofrido pela Megaupload e que pressionou a The Pirate Bay, entre outros.

No entanto, diante da ausência de uma substituição considerável, em relação à oferta que havia conquistado a Library.nu, instituições e organizações que lutam pelos direitos dos usuários, professores e intelectuais se perguntam se o dano sobre o acesso à cultura não é maior que o dano ao “direito do autor”. A Library.nu era um problema e também uma grande solução.

Dezessete companhias editoriais se uniram nos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha para barrar o sítio que tinha uma oferta inabarcável da literatura universal - cerca de 400.000 exemplares - e alguns dizem que poderia chegar a um milhão. Entre as editoras estão a Harper Collins, Oxford University Press e Macmillan. Aconteceu com aLibrary.nu algo parecido com o que ocorreu com os sítios que indexavam arquivos no Megaupload. Na Library.nu se acumulavam “links para download” de livros, que na verdade estavam armazenados na iFile.it, um serviço de “backup”de arquivos. Conforme informado, o Tribunal alemão recebeu dezessete demandas, em que foram mencionados dez livros de cada editora. As sansões esperadas poderiam chegar aos 250.000 euros e no máximo seis meses de prisão. Embora, em geral, as editoras lidam com o famoso “takedown notice” (algo como “avisamos que você tem que encerrar o sítio ou vamos pegá-lo”), desta vez decidiram juntarem-se diante da impossibilidade de chegarem diretamente ao sítio que comandava os índices dos livros. Os encarregados da tarefa de encontrá-los foram os alemães de Lausen Retchsanwalte, especializados na procura por violações da propriedade intelectual, uma árdua tarefa nos tempos de Internet.

A conexão entre os dois sítios veio após encontrarem uma coincidência entre a Library.nu, aparentemente hospedada na Ucrânia, com endereço legal na ilha Niue do Pacífico, mas em que o endereço de registro de ambos estavam na Irlanda. Então, os advogados trabalharam com a Irish National Federation Against Copyright Theft (Federação Nacional Irlandesa contra Roubo de Direitos Autorais) para encontrarem conexões até conseguirem observar que o botão das “Doações” da Library.nu que confirmava a recepção pelo correio eletrônico, embora o recibo da PayPalchegasse com o nome dos verdadeiros donos da conta: Fidel Núñez e Irina Ivanova, os mesmo donos e diretores daLibrary.nu eram os da iFile.it.

Para além do desajuste dos criadores, o que questiona Christopher Kelty, professor da Universidade da Califórnia e autor do livro Two Bits: the cultural significance of the Free Software (Dois Bits: o significado cultural do Software livre), é que o sítio tinha principalmente livros escolares, monografias, análises biográficas, manuais técnicos, pesquisas em engenharia, matemática, biologia e ciência, textos com copyright, mas fora do mercado, mal e bem digitalizados, em inglês, francês, espanhol ou russo. 

Como conta Kelty em seu artigo: “The Disapearing virtual library”, publicado em Al Jazeera, esses “bárbaros que colocaram a indústria editorial de joelhos não eram ninguém menos que estudantes de cada canto do planeta”, desejosos em aprender. Isso é o que milhares de jovens e adultos com ansiedade em aprender fizeram com a Library.nu. Em apenas alguns anos “criaram um mundo de leitura e apostaram no compartilhamento de conteúdos”. Os editores pensam – disse Kelty – que se tratou de uma grande vitória na “guerra contra a pirataria”, que irá melhorar a renda da indústria e lhes oferecerão maior controle, e os “piratas” pensam que simplesmente o conteúdo irá para outro sítio.

Porém, para Kelty a questão está em compreender que a demanda global pela aprendizagem e escolarização não estão sendo levados em conta pela indústria editorial e “não pode ser levada em conta com este modelo de negócio e com estes preços”. A grande classe média global, desejosa em aprender e compartilhar conhecimento, repartida por todos os cantos do planeta, “clama pelo conhecimento” e, desta vez, o argumento contra a Library.nu está ainda mais difícil de se defender: não se trata de entretenimento sonoro ou audiovisual, de jovens fazendo travessuras e copiando discos para que sejam baixados por seus amigos, mas de um extraordinário acesso ao conhecimento.

O que ironicamente disse Kelty, é que o centro da discussão deverá vagar entre a ideia de criminalizar o acesso aos livros “ilegais” em contraposição ao “compartilhamento do conhecimento”. A fúria pela interrupção do acesso ao conhecimento se apoderou das redes sociais, dos blogs, dos “posts” e de milhares de universidades de todo o mundo que haviam encontrado na Library.nu um espaço para terminar com a escassez do acesso ao saber, num mundo em que a indústria editorial segue pensando que o saber ocupa lugar e que é preciso pagar por ele. Como disse magistralmente Kelty, em uma parte de seu artigo, “em breve, ler será possuir uma cópia ilegal de um livro no cérebro”.

IHU On-line. A tradução é do Cepat.

5 de mar de 2012

Diálogo com Atanasio Mykonius II

Meu querido Rosenil
5 de março de 2012 10:56

Perdoe-me pela demora em responder-lhe prontamente, estou às vistas com o início das aulas, uma vez que sou coordenador do curso de bacharelado em humanidades. Um dia conto com mais detalhes o que faço aqui em Dimantina. 

Hoje mesmo, dia 5 de março, será criado o CEFIL – CENTRO DE ESTUDOS DE FILOSOFIA, pois meu mandato como coordenador inspira em 30 de março, assim poderei me dedicar ao que realmente sei fazer – filosofia.

Humanidades e gerações
Humanidades e gerações


Bem, mas vamos ao que interessa.

A teoria marxiana, como nós a designamos, tem uma dupla face ou, como podemos distinguir historicamente o fato de que houve duas correntes de interpretação acerca do pensamento de Marx durante parte do século XX.

Ocorre que o centro dessa disputa está exatamente no primeiro capítulo de O Capital. De início, Marx, na primeira edição inglesa, o havia colocado como um apêndice, porque não estava ainda certo de que esse capítulo possuía as condições científicas para ser publicado. Alguns amigos e em especial Engels o convenceram e assim, a partir da segunda edição, esse capítulo figura como o primeiro.

No entanto, após a morte de Marx, o encontro da II Internacional Socialista fez por onde varrer para debaixo do tapete aquilo que o capítulo primeiro propunha como leitura substancial acerca do capitalismo.

E o que diz esse capítulo? Nele podemos encontrar um duplo Marx, que tem o entendimento do mecanismo da forma-mercadoria, em que todos estão nele emaranhados e que somos todos frutos de um processo cego, um processo fetichizador das condições concretas da vida humana. Ali, Marx consegue mostrar que o capitalismo não tem um dono, não é uma espécie de sistema capaz de ser controlado cientificamente por um Estado a-histórico, suprahistórico, um Estado que garanta as condições de distribuição do que é produzido no capitalismo.

E por que isso tudo foi varrido para debaixo do tapete? Exatamente porque surgia uma corrente burocrática no interior do movimento que culminaria, de forma expressiva, no leninismo. Lênin reinterpreta essas questões e lança mão de uma estrutura político-partidária, considerando outros aspectos do pensamento de Marx.

Marx, na sua luta pública, com os trabalhadores, mantinha outra perspectiva. Ele acreditava que era possível uma luta política para tomar o Estado, o Manifesto do Partido Comunista , então, passou a ser a cartilha fundamental da tropa de elite comunista. Tomar o Estado e garantir a distribuição.

Outro elemento importante é o fato de que a teoria marxiana do fetiche quase que impossibilita a uma ação dialética frontal, ou seja, para aquela turma toda da virada do século XIX para o XX, era imprescindível que houvesse um inimigo identificado, marcado, carimbado, pois assim fica mais fácil chegar ao poder, com a hipótese de que alijando ou anulando os proprietários dos meios de produção, tudo estaria resolvido.

Mas o fulcro desta questão não está no resultado final do processo produtivo do capital, que é a mercadoria, está no começo, o modo como o trabalho abstrato continuava a ser realizado, mesmo nos países do socialismo científico. A mercadoria continuava a reinar, mas sob o guarda-chuva de um Estado que supunha poder controlar cientificamente o processo e distribuir o seu produto de forma igual.

Dessa forma, o problema não está na pretensa distribuição igualitária das mercadorias. Isso não é justiça social, nem é vontade divina que ocorra. Claro que é preciso distribuir com equidade. A questão está no princípio do processo.
Sendo assim, a produção de mercadorias continuava, apenas com o controle quantitativo de sua distribuição e que, ao longo dos anos, criou distorções abomináveis.

Damos a isso dois termos importantes.

Para o Marx que foi enterrado e ressuscitado pelo leninismo, damos o nome de marxismo exotérico, que atendia, aparentemente, o anseio das massas trabalhadoras e de seus líderes. E damos ao Marx que se voltou para a anatomia do capital, o nome de marxismo esotérico, isto é, voltado para as estruturas internas do mecanismo social do capital.

Os primeiros a identificarem isto foi o pessoal da Escola de Frankfurt, mas só a partir da década de 1990 e é, em função da crise estrutural do capitalismo mundial, é que um grupo de pensadores, Grupo Krisis e depois o Grupo Exit (ambos estão linkados no meu blog, no site de ambos você encontrará textos referentes a essa discussão que é fresquíssima).

Mas o Marx voltado para dentro do sistema capitalista oferece dificuldades, uma vez que não havendo um dono para o capitalismo (e isto é fácil de ser constatado), a dificuldade é no sentido de combatê-lo objetivamente. Não é à toa que todas as tentativas redundaram na sua reprodução. O fenômeno da reprodução do capital é o mais impressionante na história humana.

Todos os partidos de esquerda que se aventuraram em combater o capitalismo redundaram e fracasso, tentaram uma distribuição de riqueza, notadamente acreditando que o Estado poderia propiciar uma espécie de contrabalanço nas relações desumanas que o capitalismo proporciona.

Porém, contraditoriamente, para favorecer os pobres, seria necessário que o capitalismo viesse a se fortalecer ainda mais. Por isso, ironicamente, os melhores gerentes do capitalismo são os partidos de esquerda e os de centro esquerda, leia-se na América Latina, social democracia (revestida de neo liberalismo) e os partidos mais à esquerda que, lentamente, sucumbem ao princípios que deram em sua fundação.

Isto é o maior paradoxo da vida contemporânea. O capital se tornou a cultura dominante, que permite, de modo cínico, que as culturas possam até sobreviver e se manifestarem conforme seus preceitos, suas tradições e suas formas de existir. Contudo, todos obedecem ao sujeito histórico que não tem face, o capital.

Istvam Mezaros tem um artigo em que fala que o capitalismo é um processo caótico.

Eu digo mais uma coisa. O que o capitalismo precisa é de gerentes e administradores. Socialmente são eles que determinam o rumo, mas é um rumo cuja lógica ainda obedece aos fundamentos apresentados por Marx no primeiro capítulo de O Capital.

Não importa quem você é, mas importa que você e eu estamos presos a uma estrutura social cuja determinação é uma só, produzir mercadorias com o trabalho abstrato e assalariado. Sejamos nós de esquerda ou de direita, o sistema está posto, apenas o colapso de sua própria condição poderá nos levar a superar essa cultura esmagadora.

Bem, isso é um pouco do que penso e faço atualmente.

Minha leitura é compartilhada por um grupo muito pequeno ainda. Isto não significa que as relações de poder no interior do sistema não devam ser combatidas e acho, ainda mais, que é preciso um esforço descomunal para fazer as massas entenderem isto.

Vamos nos falando meu caro, me desculpe pela demora. Forte abraço do Grego.
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Rosenil Orfão 5 de março de 2012 11:16

Para: Atanásio Mykonios

Olá Greco... obrigado pelo texto, achei muito importante, vou olhar as referências e a partir de sua análise aprender mais sobre Marx.

Sobre o tema da "necessidade", que é algo que você está aprofundando, assisti um vídeo, postado por um grupo de ativistas estadunidenses que me parece interessante para nosso debate. Acredito que você já tenha avaliado algo até mais profundo. Contudo gostaria de uma opinião sua sobre a relação que existe entre o vídeo e nosso debate. 

O endereço é: http://ppplebeu.blogspot.com/2012/03/momentos-de-formacao-politica-vi.html, e faz parte de um curso de formação política que estou organizando.

Outra coisa: posso colocar este e-mail em meu blog, acho que seria muito bom para ajudar em nosso curso militante de formação política?
Grande Abraço. Rosenil.
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DEBATE ANTERIOR: AQUI

Momentos de formação política VI.

Organização urbana da praça dos expedicionários - Suzano-SP
Em tempos de grandes transformações sociais, aceleradas pela mudança dos processos de produção e os avanços tecnológicos, aliados ao aumento vertiginoso de nossa capacidade de comunicação por todo o planeta, torna-se necessário aprofundarmos nossa capacidade de interferir de modo mais consequente nas realidades que vivemos.

Conhecer nosso espaço, nosso lugar, nosso bairro, nossa cidade e as pessoas que estão próximas a nós é estratégico no mundo moderno. É necessário retomar os tempos de nossas comunidades mais simples, onde todos e todas se conheciam pelo nome e interagiam em seus valores e interesses.

Não quero dizer com isso que devemos voltar aos tempos anteriores, até porque isto é impossível, mas que possamos resgatar alguns valores fundamentais que foram a base para nossa evolução até aqui, e questionar, o modo, como estamos priorizando o uso de nosso tempo, de nosso conhecimento e de nossa capacidade de articulação nos espaços escolares, de fábrica, de atividades políticas, na produção cultural e outros mais, de modo que possamos viver, a partir de todo nosso desenvolvimento científico, cultural, social e filosófico, de modo mais humanizado e capaz de criar e fortalecer comunidades justas solidárias e sustentáveis.

Em tempo de ano eleitoral, onde iremos definir quem serão os responsáveis para conduzir e governar nossos municípios, é uma oportunidade para todos, que possamos nos organizar melhor e criar as condições para um debate e uma troca de experiências que venha a acumular energias, entendimentos e espírito de luta a serviço do direito das pessoas, da inclusão social, da autonomia dos povos, do respeito as diferentes culturas, da geração de trabalho humanizado e consumo consciente.

Por conta disto, desafio você que leu este texto até aqui, a ganhar mais vinte e um minutos, para assistir ao vídeo abaixo, desenvolvido por um grupo de ativistas estadunidensses que colabora bastante com nossa reflexão e entendimentos sobre o funcionamento das coisas, e de modo pedagógico, nos impulsiona a construir alternativas para um outro mundo possível.


 

2 de mar de 2012

Milton Schwantes: Um profeta que nos deixa.

Milton Schwantes: Um profeta que nos deixa, mas continua sempre conosco. 
Quinta-feira, 1 de março de 2012 - 8h56min

Milton viveu os últimos anos de sua vida com sérios problemas de saúde, dando um testemunho de resistência e de alegria. Desde agosto de 2002, depois de uma delicada cirurgia para retirada de um tumor na hipófise, conviveu com sobriedade com graves limites físicos. Os últimos dois meses passou hospitalizado.Faleceu na madrugada de hoje, 1° de março, o biblista Milton Schwantes.
Formado em Teologia pela Escola Superior de Teologia - EST (1970). Fez seu doutorado em Bíblia na Universidade de Heidelberg, na Alemanha. Apesar dos vários títulos de Doutor Honoris Causa concecidos por diversas universidades, enquanto teve forças, continuou assessorando grupos e comunidades.

Schwantes é teólogo e pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Biblista, Schwantes é uma das principais referências do método de leitura popular da Bíblia na América Latina e autor de diversos livros, alguns traduzidos em espanhol, alemão e inglês.
A contribuição de Milton Schwantes à Leitura Popular da Bíblia e à caminhada do CEBI foi muito grande. É inegável que sem suas reflexões, o CEBI não conseguiria assegurar sua ecumenicidade. A perspicácia e a simplicidade na interpretação dos textos bíblicos foi outra grande contribuição de Milton a toda a leitura bíblica praticada no Brasil e na América Latina.
" Ficamos sem mais um profeta", lembra Adeodata Maria dos Anjos, atual diretora nacional do CEBI. Ainda segundo a Diretora, "sua voz silenciou, mas continuará ecoando e transformando corações".
A pastora Elaine Neuenfeldt, ex-diretora nacional, descreve emocionada: "Milton foi inspirador de muito de nós, estudantes de Bíblia, aprendizes da leitura popular; particularmente, devo muitas das minhas reflexoes no Antigo Testamento ao trabalho do Milton; ele foi um dos primeiros na EST (Escola Superior de Teologia) a propor um Curso de Aprofundamento Teologico sobre mulheres no AT. O movimento de leitura popular da biblia e a pesquisa biblica perde um dos seus grandes nomes, um luterano brasileiro que deixa um legado muito importante pra nós".
"Vai fazer uma falta danada! Mas tem tanto livro, tanta gente e  tanta paixão que ressuscitado está!", afirma a pastora metodista e colaboradora do CEBI"  Nancy Cardoso Pereira.
À sua companheira Rose, às três filhas e a toda a família, o abraço carinhoso do CEBI.
Confira a entrevista de Milton: A teologia e o Direito dos Pobres
Fonte: http://cebi.org.br/noticia.php?secaoId=1&noticiaId=2795
FONTE: http://www.cefep.org.br/news/milton-schwantes-um-profeta-que-nos-deixa-mas-continua-sempre-conosco