31 de ago de 2011

A direção do Poder (sobre o aumento de vereadores nas câmaras)

Plenaria do OP (Orçamento Participativo) de Suzano-SP
Como podemos pensar a direção do poder? De que lado ele é exercido? É de baixo para cima? Ou é o contrário? Ou nenhum dos dois.. ou talvez ele "salte de banda"!!!

Há quem afirme que o exercício do poder é unidirecional. Manda quem pode, obedece quem tem juízo!

Tenho dúvidas com relação a esta afirmação, mesmo sendo esta, um dos grandes ensinamentos da sabedoria popular.

Nosso esforço em organizar as estruturas de poder, e colocá-lo a serviço do conjunto dos interesses legítimos das comunidades e dos povos ganhou, após o desenvolvimento das ciências sociais, novo contorno. Criamos elementos importantes no campo da ética, da economia , da crítica filosófica, das psicologias, das matemáticas, enfim, do conjunto dos saberes, condições objetivas para garantir um exercício mais pedagógico, e longe do obscurantismo, do poder.

Contudo a conquista destes elementos não permite e nunca permitirá, tornar fácil seu entendimento e seu exercício.

Diferente de outras relações humanas, como a arte, a religião, os ofícios, os trabalhos, as profissões, os amores, os risos e as paixões, coisas que podemos fazer e exercitar de modo particular e com pessoas que podemos conhecer, conviver, saber quem é, dialogar, trocar, cobrar, vender etc.... o poder para ser exercido depende de uma amplitude não particular e ou privada. Ele só se estabelece na esfera do que convencionamos denominar público.

Esta topologia, inerente ao poder, determinante em sua natureza, obriga que "o poder", para "ser" e se estabelecer, de modo definitivo e, para que cumpra aquilo que queremos e o que dele esperamos e exigimos, deve ser dominado e exercido por uma multidão.

Por isto sou favorável ao aumento do número de vereadores nas câmaras municipais. Inclusive entendo que o modo como os interesses das comunidades são representados nas casas legislativas é muito superficial.... e um dos motivos desta superficialidade tem a ver com a baixa quantidade de representantes...

Quando os interesses de toda uma cidade ficam na mão de 10 ou 20 legisladores, que na prática de legisladores não tem nada.... pois em sua maioria não foram preparados para sê-lo.... e nem é esta a essência de uma casa de leis... pois nela não queremos legisladores tecnocratas ... mas sim... que lá exista legítimos representantes das vontades das comunidades.... a saída que temos para garantir este objetivo, passa, entre outros, pelo necessário aumento de representantes.....

Continua......

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