21 de jun de 2011

Construir hegemonia sem dominação

A base para termos uma sociedade igualitária e justa está na apropriação de princípios, valores e metas que sejam hegemômicas e libertadoras enquanto elementos naturalmente constituintes desta sociedade.

Atualmente vivemos a busca de uma nova hegemonia. Um novo padrão social e de relações é anseio de nosso tempo.

Não toleramos mais, com o atual "estado da arte" da evolução científica, tecnológica, ética e filosófica, convivermos com a exclusão social, com a destruição do meio ambiente e a relação de dominação de pessoas por espaços de poder, tanto econômico, político ou cultural que coloque amplos contigentes humanos em situação de alienação e/ou miséria material e imaterial.

Entendo que vivemos na fronteira da transformação de nossa sociedade para este novo patamar de relações e formação social.

As sociedades hegemônicas que tivemos em nossa jovem história humana sobre a terra nasceram e se estabeleceram a partir das forças bélicas e de supremacia imperialista e de carater dominador sobre as culturas menos poderosas.

Em nosso tempo este modelo de relação não é mais aceito. A autonomia do povos, o desenvolvimento sustentável, os direitos humanos e a democracia deixaram de ser metas a serem atingidas e passam, agora, a serem princípios estabelecidos na necessária nova conjuntura de relações entre comunidades, estados e etnias.

Os valores humanos, sustentáculos desta nova dinâmica, nos colocam novas metas para este século. Exterminar a miséria, trasnformar o sistema de produção capitalista e garantir a biodiversidade passam a ser os desafios e novas metas que assumimos e pretendemos.

No Brasil, em tempos de reforma política, ter estes elementos claros nos debates e nas ações é pressuposto para avançarmos mais céleres nestas conquistas.

Organizar espaços que permitam ao homem e a mulher, ao trabalhador e à trabalhadora, à juventude e aos idosos participarem da construção política de seu espaço é a dinâmica e o caminho para efetivar tais avanços.

Pouco tempo atrás falávamos em criar espaços, hoje podemos falar em organizá-los. Isto se dá por conta das conquistas que tivemos. Contudo esta organização passa pela necessária implementação e fortalecimento de subsidiariedades e planificação entre as diversas instituições que criamos e conquistamos: os espaços de formulação de políticas públicas, do movimento social, das igrejas, das universidades, dos partidos políticos, do mercado de trabalho, da produção artística e de comunicação.

Por conta disto propomos, de modo conjunto com amplos setores das comunidades, a partir de nossas cidades, mas também de nossas câmaras legislativas nos diversos níveis, que construamos e fortaleçamos os instrumentos legais, materiais e humanos que nos coloque, a todos, nesta atitude de protagonistas de um novo tempo e de um novo mundo possível.

O caráter revolucionário desta construção é determinante para que estas formulações tenham consequência prática na realidade da vida das famílias e das comunidades.

Ampliar o acesso ao sistema público de educação, tanto técnica como latus senso, e garantir melhor organização dos espaços de nossas áreas urbanas com habitação, saneamento, mobilidade e lazer é estratégico.

O espaço das novas redes sociais, construídas sob as novas tecnologias de informação, são uma oportunidade de aprofundar a percepção de todos para os processo de construção e reconstrução econômica, cultural e política de nossas realidades locais. A geografia da vida pode ser lida agora com mais clareza e integração espacial e histórica. Pulverizar estas tecnologias é também estatégico.

Enfrentar as contradições, com as ferramentas da contra ideologia parece ser, neste nosso tempo, algo factível e fasificável com mais celeridade e maior precisão. A verdade conquistada para além daquilo que podemos conhecer passa a ser também revestida de novas possibilidades.

Quando o extraordinário passa a ser cotidiano é a revolução. Uma nova hegemonia sem dominação.

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