9 de fev de 2011

Pressupostos para uma cidade participativa: governar é fazer - ato I.

Governar é fazer.

Fazer sem valorizar extrema e radicalmente as relações e interesses humanos envolvidos é negligenciar a materialidade e as necessidades existentes. É mergulhar em um precipício ideológico que desumaniza, esconde e destrói a capacidade criativa do sujeito.

O modelo de estado burguês, em todos os níveis, tende a criar precipícios que absorvem o sujeito envolvido no ato de fazer. Coloca-lhe um conjunto de lentes turvas que não lhe permitem agir conforme a realidade e a necessidade.

O fazer do ato de governar passa a ser uma atividade sobre humana. Alimenta-se a cada dia de problemas ideológicos e afasta-se da realidade das necessidades e das vontades que formam as relações que dão vida à civilidade e à realidade.

A grande contribuição do materialismo histórico e da pedagogia dialética no modo de agir humano é munir o nosso pensar de uma lógica e de instrumentos organizadores da realidade que, como âncora, esta sempre impulsionada para o real, independente da característica virtual do modo de pensar o fazer do sujeito.

A esquerda brasileira, em seu avanço cambaleante, violentado pelas teorias mal acabadas do materialismo que estamos construindo, aliada a capacidade de ilusão quase real imposta pelo modelo de produção capitalista agindo sedutoramente na base psicológica do sujeito sonhador, consumidor e mítico, esta esquerda, entra em uma crise histórica e desafiadora, quando se propõe a gerir sem as reformas necessárias, o modelo ideológico do estado e organização social burguesa.

Mas o processo revolucionário, natural e pressuposto da vida, não será, enquanto existirmos, anulado. Pode com certeza ser postergado por catástrofes naturais e defeitos, também naturais, da formação cultural humana. Porém ele avança e se consolida a cada momento.
A evolução diária perceptível aos olhos de todos que se maravilham com a vida, com as coisas e principalmente, suas combinações cria no sujeito um fenômeno sobre humano mas extremamente humanizado, traduzido pelos cristão como fé. A fé na vida que para uma pedagogia religiosa é chamada de fé em Deus, é um desafio natural muito próprio daqueles que diariamente se colocam, ao deitar e ao se levantar na nobre arte que só "os animais que sabem" podem desenvolver: o fazer. Ser condenado à humanidade profunda é a pena que nos submetemos desde quando eramos nômades sobre a terra.

fim do ato I.

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