20 de nov de 2010

Fidel Castro e o perigo dos erros

Em uma reunião com estudantes, o líder cubano afirmou que o sistema político cubano pode autodestruir-se, mas não pode ser destruído pelos Estados Unidos, e se pôs à frente do novo plano econômico do governo de seu irmão Raúl.
 Fidel Castro ratificou suas opiniões de que o sistema político cubano pode autodestruir-se e que a liderança da ilha cometeu “muitos erros”, entre eles o de “acreditar que alguém sabia de socialismo”. O líder cubano participou, nesta semana de uma reunião com estudantes, exatamente cinco anos depois que, na Universidade de Havana, lançou uma advertência sobre a necessidade de reformas no sistema da ilha. “Hoje ratifico novamente” esse discurso, disse Castro.
O discurso na Universidade de 2005 incluiu um chamado à discussão sobre as mudanças que o país necessitava. O ex-mandatário repetiu uma grande parte daquelas palavras, coincidindo com a preparação do Congresso do Partido Comunista, que terá como único ponto de debate a reforma econômica implantada pelo presidente Raúl Castro.
Fidel não se referiu explicitamente ao Congresso nem à linha oficial. Contudo, de seu discurso original de 115 páginas escolheu parágrafos que repetiu, e que taticamente mostram pontos de convergência com a reforma em marcha. Raúl Castro disse na semana passada que as ideias de seu irmão “estão presentes em cada um dos encaminhamentos propostos” para uma nova política econômica. O ex-presidente, de 84 anos, se declarou surpreso com “a atualidade das ideias expostas que, cinco anos depois, são ainda mais atuais que naquela época”.
Depois do discurso de 2005 não houve nenhuma discussão nacional. Apenas alguns discursos no Parlamento e um livro com entrevistas de intelectuais. Em julho de 2006, Fidel caiu enfermo e cedeu o poder inteiramente a Raúl, que relançou a ideia das mudanças em julho de 2007.
Em sua seleção de ideias, Fidel Castro repetiu esta semana as seguintes:
— “Este país pode autodestruir-se por si mesmo; esta revolução pode ser destruída, mas quem não pode destruí-la hoje são eles (os Estados Unidos); nós, sim, nós podemos destruí-la, e seria culpa nossa”.
— “Uma conclusão que se tirou ao final de muitos anos: entre os muitos erros que cometemos, o mais importante erro era acreditar que alguém sabia de socialismo, ou que alguém sabia como se constrói o socialismo”.
— “Lhes fiz uma pergunta, companheiros estudantes, que não esqueci, e quero que vocês também não a esqueçam nunca, mas é a pergunta que deixo aí diante das experiências históricas que houve, e lhes peço a todos, sem exceção, que reflitam: pode um processo revolucionário ser irreversível ou não? Quais seriam as ideias ou o grau de consciência que tornariam impossível a reversão de um processo revolucionário?”
— “É muito grande o poder que um dirigente tem quando goza da confiança das massas, quando confia em sua capacidade. São terríveis as consequências de um erro daqueles que tem mais autoridade, e isso aconteceu mais de uma vez nos processos revolucionários”.
— “Necessitamos aplicar o máximo de racionalidade no salário, nos preços, nas aposentadorias e pensões. Esbanjamento zero. (...) Não somos um país capitalista, em que se deixa tudo ao azar.”
— “Subsídios ou gratuidades, só em coisas essenciais e vitais. (...) E com o que pagamos os custos? (...) Tudo está ao nosso alcance, tudo pertence ao povo, a única coisa não permissível é esbanjar riquezas de maneira egoísta e irresponsável.”
— “É apenas uma questão ética? Sim, é acima de tudo uma questão ética; mas, além disso, é uma questão econômica vital.”
IHU/Unisinos, 20/11/2010
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Aldo Escobar
Assessor de Comunicação SNMPPS - PT
11 3243-1397

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